Você sabia que as cooperativas brasileiras podem ser classificadas de acordo com a sua finalidade ou atuação? Sabia também que a separação desses ramos do cooperativismo no Brasil mudou em 2019? Dos 13 existentes até então, eles se tornaram 7. Isso ocorreu após um processo participativo de avaliação voltado para o bem das cooperativas.
Nesse contexto, alguns dos segmentos foram unificados por afinidade entre suas atividades, enquanto outros foram separados para serem distribuídos entre os demais, conforme o perfil dos membros. De qualquer forma, o entendimento do que cada um deles engloba foi revisto de modo a melhorar a organização das associações.
Neste conteúdo, você vai entender a nova divisão e outros aspectos acerca do cooperativismo. Acompanhe!
O que é o cooperativismo?
Cooperativismo é um movimento que busca o desenvolvimento tanto social quanto econômico por meio da colaboração de pessoas ou empresas com interesses em comum, obedecendo a critérios de ética, equidade e solidariedade mútuos.
Surgido há quase 180 anos, esse modelo abrange um conjunto amplo de ideias para embasar suas atividades, incluindo respeito aos objetivos coletivos sem deixar de apoiar o progresso individual e equilíbrio de justiça social com prosperidade econômica, baseados na sustentabilidade dos projetos.
Essas organizações funcionam oportunizando melhores condições de acesso a bens ou serviços para seus cooperados e as populações dos locais em que estão inseridas.
Quais são os 7 ramos do cooperativismo no Brasil?
A classificação das atividades do cooperativismo no Brasil é embasada em uma política nacional voltada para isso, que inclui diversas leis criadas para guiar seu registro pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Veja, a seguir, como está essa divisão atualmente e o que caracteriza cada ramo do cooperativismo.
1. Crédito
Nessa classificação, estão todas as associações que prestam serviços financeiros a seus membros e às comunidades em que estão inseridas, facilitando o acesso aos produtos desse mercado e oferecendo melhores condições para tanto.
As cooperativas de crédito oferecem os mesmos produtos e serviços de um banco, como contas correntes, cartões e financiamentos, além de também seguirem as regulamentações do Banco Central. No entanto, é importante não confundir os dois tipos de instituição.
As diferenças estão no campo comercial, já que as cooperativas têm taxas, juros, prazos etc. adequados à realidade dos associados que atendem.
Portanto, elas permitem que mais pessoas possam obter investimentos e oportunidades. Além disso, não visam o lucro e, quando há Sobras, esses valores são:
- reinvestidos no empreendimento;
- divididos proporcionalmente entre os participantes;
- destinados a outras ações aprovadas pelos próprios associados.
Conforme o Anuário Brasileiro do Cooperativismo (2022), a área de crédito tinha 14,4 milhões de cooperados em 2021. Hoje, são mais de 19 milhões.
2. Agropecuário
Engloba as atividades relacionadas ao extrativismo, agricultura, pecuária, agroindústria e pesca, incluindo:
- prestação de serviços e assistência técnica;
- industrialização;
- recebimento, armazenamento e distribuição;
- compra ou venda conjunta.
Para tanto, duas características precisam ser observadas: a mutualidade e a propriedade dos meios de produção pelos membros. Encaixam-se, ainda, nessa categoria as cooperativas de estudantes de escolas técnico-agrícolas.
No dia a dia, esse setor se destaca pelos números. Em 2021, eram 1.170 organizações com mais de 1 milhão de cooperados gerando 239 mil empregos, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro de 2022, divulgado pela OCB.
3. Transporte
Exigindo a propriedade do veículo para ser um cooperado, o ramo dos transportes é composto por organizações que prestam serviços nessa área. Tal segmento abrange tanto atividades voltadas à locomoção de pessoas quanto de cargas, pelos mais diversos meios e, não importando se é por via aérea, aquática ou terrestre.
Quem faz parte desse tipo de cooperativa acaba tendo vantagens na hora de conseguir clientes, quer seja pela segurança que transmite ao passageiro, quer seja na hora da negociação de valores ou do recebimento.
Ainda que sejam relativamente recentes no mercado nacional, presentes há cerca de 20 anos, já somam quase 100 mil membros. Mais de 45% dos participantes atuam com cargas rodoviárias e quase 39% no segmento de coletivos de passageiros, de acordo com a OCB.
4. Trabalho e Produção
De todos os ramos do cooperativismo presentes no país, o voltado para trabalho e produção é o que abarca o maior número de atividades. Nele, podem ser cooperados profissionais que prestam serviços ou produzem bens nas mais diversas áreas que não estão representadas nos demais segmentos.
Seu foco é que o trabalhador se torne um empreendedor que atua em colaboração com outras pessoas em igualdade. Entre os requisitos para ser classificado nesse segmento, estão ter posse dos meios de produção, oferecer a mão de obra e direcionar seu trabalho para suprir demandas de terceiros.
Assim, a organização busca conseguir clientes para seus membros e fornecer capacitação a eles com os objetivos de:
- obter melhores condições de trabalho;
- aumentar os ganhos;
- assegurar direitos.
De acordo com o Anuário do Cooperativismo 2022, são quase 200 mil cooperados, sendo que a maior participação é da categoria de educação, que representa cerca de 20% desse total.
5. Saúde
De acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras, o tamanho do ramo das associações nesse formato, voltadas a prover cuidados e preservar a saúde do Brasil, o posiciona como o maior do mundo. Além disso, o pioneirismo do país nesse segmento se destaca.
Composta tanto por prestadores de serviços, como médicos ou dentistas, quanto por clientes, contam com operadoras de planos de saúde, profissionais e empreendimentos especializados para suprir demandas médicas por contratação direta ou por meio de parcerias público-privadas.
6. Consumo
Quando se trata dos ramos do cooperativismo, o consumo se refere aos grupos de pessoas ou empresas que se reúnem a fim de adquirir produtos ou serviços em comum. Assim, é possível reduzir os custos ou obter melhores condições de pagamento, por meio de negociações de grandes quantidades.
Também passaram a estar nessa categoria organizações de pais e alunos cujos interesses estão ligados a contratações educacionais ou de associados que visam adquirir pacotes de turismo e lazer por intermédio de uma cooperativa.
Na prática, o volume dos pedidos torna esses empreendimentos prioridades para os fornecedores. Não à toa, em 2021 havia um total de 2 milhões de cooperados nesse ramo no Brasil.
As cooperativas de consumo se dividem entre:
- cooperativas fechadas: que só aceitam participantes do mesmo segmento;
- cooperativas abertas: que permitem o ingresso de associados sem restrições.
7. Infraestrutura
O ramo da infraestrutura conta com mais de 1,2 milhão de membros no Brasil, conforme aponta o Anuário da OCB 2022. Isso se justifica por envolver cooperativas que prestam serviços em diversas áreas, como:
- construção civil e habitação;
- energia elétrica;
- irrigação;
- telefonia e telecomunicações;
- saneamento;
- estrutura rodoviária e ferroviária
Ainda segundo o mesmo documento, essas cooperativas representam parcelas significativas em alguns mercados – 39% no segmento habitacional e construtivo, e 36% na geração de energia para consumação, por exemplo.

Como fazer parte de uma cooperativa?
Cada um dos ramos do cooperativismo tem suas particularidades. Somado a isso, legislações e normativas governamentais, bem como regramentos individuais de cada cooperativa precisam ser respeitados.
Assim, o primeiro passo para fazer parte de uma organização que atua nesse modelo é conhecer todas as exigências e as regras para ser um cooperado, avaliando se você se encaixa nelas.
A etapa seguinte é fazer contato para entender como funciona o processo administrativo e prático para se tornar um associado.
Quais são as vantagens de ser um cooperado?
Quem se torna cooperado, independente do ramo ao qual a cooperativa pertence, tem algumas vantagens. Entre elas:
- fortalecer sua demanda a partir do apoio de um grupo mais amplo de interessados;
- obter suporte e atenção dentro da própria comunidade;
- contribuir para o desenvolvimento da economia local;
- ter maior independência em relação a outros atores do mercado por ser dono;
- conseguir acesso a serviços ou produtos mais qualificados e em melhores condições;
- reduzir custos pela sua divisão com outros participantes e pela isenção tributária;
- participar da tomada de decisão e da distribuição de resultados;
- alcançar a atenção às suas necessidades e interesses;
- receber oportunidades de aperfeiçoamento e de ganho de conhecimento.
Conclui-se, então, que esse modelo de organização é vantajoso tanto para os associados como para suas comunidades. Além disso, as cooperativas vêm para suprir necessidades nas mais diversas áreas, em que outras formas de empreendedorismo não apresentam os mesmos efeitos ou não contam com interesse comercial.
Gostou de descobrir mais sobre o assunto? Quer se aprofundar? Então, confira o conteúdo Cooperativismo: entenda o que é e as vantagens desse modelo!