O visitante que chega a Cravinhos (SP) é recebido de uma forma inusitada. No lugar do tradicional letreiro “seja bem-vindo”, uma proposta de negócio: “instale aqui sua indústria”, seguida do contato direto do atual prefeito.
A placa, que chama a atenção dos motoristas que passam pela Rodovia Anhanguera (SP-330), foi instalada em 2001. De lá para cá, a gestão municipal mudou, mas Cravinhos segue ascendendo como importante polo industrial no interior paulista.
Setor que tem contribuído significativamente com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Só no terceiro trimestre de 2024, o avanço da indústria brasileira foi de 3,6%, em comparação ao mesmo período do ano anterior – segundo melhor resultado, atrás apenas do setor de serviços. Mas o processo de industrialização de Cravinhos é recente.
A cidade, que desde a sua fundação teve a economia enraizada na produção cafeeira e canavieira, como a maioria da região, há pouco mais de uma década abriu as portas para a indústria, tornando- se um destino atrativo, inclusive para multinacionais.
Na sexta posição em termos de produtividade industrial na região administrativa de Ribeirão Preto, que inclui 25 municípios, de acordo com levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), Cravinhos registrou em 2023 mais de R$ 239 milhões em receita bruta, o que representa um crescimento de R$ 20 milhões em relação ao ano anterior.
Seguindo literalmente a proposta que recepciona os visitantes na entrada do município, a família Gruppioni instalou em Cravinhos a Fourt, indústria especializada em centrais dosadoras de concreto e soluções para usinas. A empresa, que nasceu em um cantinho improvisado na sala da casa da família, hoje emprega 70 funcionários e atende às demandas dos principais fornecedores de concreto do Brasil. “É gratificante olhar para trás e perceber todo o nosso progresso”, diz Cintia Gruppioni Annibal, sócia da Fourt.
Desde a primeira máquina até os dias atuais, a indústria passou por reformas, expansões e ampliações do quadro de colaboradores. Cintia conta que a Fourt começou com um funcionário que prestava serviços de manutenção para usinas. Durante os primeiros anos, as atividades eram realizadas em espaços improvisados. Só em 2017, a empresa se estabeleceu em um prédio alugado.

em centrais dosadoras de concreto e soluções para usinas
E, a contrário dos inúmeros desafios impostos para muitas empresas, a pandemia da Covid-19 impulsionou o crescimento da Fourt. “Assim como a sala de casa, o primeiro barracão ficou pequeno. Na pandemia, quando mais crescemos, nos mudamos para um barracão maior, que, tempos depois, também ficou pequeno. Foi então que construímos a sede atual, onde estamos hoje”, destaca.
Cintia observa que a chegada de novas empresas à cidade impacta positivamente os resultados da Fourt, que já soma demandas até março de 2025. Para conseguir atender a tantos pedidos, a empresária planeja anexar um barracão ao prédio atual. Mas não basta espaço físico e mão de obra qualificada. As parcerias também são importantes no negócio e, nesse sentido, a indústria conta com o apoio da Sicoob Cocred, a qual é cooperada desde a fundação.
“O começo de uma empresa é desafiador até construir o nome no mercado. Contar com o apoio da Cocred foi fundamental. A primeira conta que abrimos foi na Cocred e, desde então, essa parceria tem nos ajudado e nos apoiado em tudo o que precisamos. A primeira máquina, conseguimos comprar com a ajuda de uma linha de crédito da cooperativa. Uma aliada muito forte para nós”, afirma a empresária.
Localizada no Distrito Industrial, a Noxon Saúde Animal é outra empresa que conta com a parceria da Cocred para expandir os negócios em todo Brasil e América Latina. Cooperada desde 2009, a indústria é referência na fabricação de medicamentos veterinários, em especial para o tratamento de gado.
Segmento, inclusive, com maior Valor de Transformação Industrial no município: 34%, segundo dados mais recentes da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). A indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos é também a que mais emprega e que melhor remunera os trabalhadores na cidade, de acordo com o último levantamento da Seade. Só a Noxon emprega 220 profissionais.
Uma realidade bastante diferente de 21 anos atrás, quando iniciou as atividades com somente três funcionários, sendo dois deles os próprios sócios-fundadores: os gêmeos Paulo e Cláudio Floriano Stefanoni. “Atendemos todo o território nacional, além de exportarmos para oito países da América Latina”, afirma Cláudio. “Temos colaboradores de São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas, gente que mora em outro país e, claro, a equipe de Cravinhos. É gratificante ver nosso quadro de colaboradores crescendo”, completa.
Classificada como indústria de grande porte, a Noxon passa por uma reforma para dobrar a área de produção, elevando a capacidade de vendas para o exterior. A expectativa é que, em pouco tempo, as exportações representem 15% do faturamento. As obras estão progredindo e contam com o apoio do governo municipal, fundamental para o andamento acelerado dos trabalhos.
“Percebo que há realmente essa política de industrialização. Temos facilidade de acesso, plano de água, esgoto e energia, facilidade na abertura da empresa e agilidade nos processos que seriam burocráticos”, diz o empresário. Não à toa, Cravinhos está entre as cinco cidades que mais contribuem com o PIB da região administrativa de Ribeirão Preto, ainda segundo dados da Seade.

Evolução econômica
Não restam dúvidas, portanto, de que a indústria cravinhense está se despontando e vem contribuindo com o desenvolvimento do interior paulista. Mas essa é uma realidade bem recente. Até o fim do século passado, era a agricultura que movia a economia local. Fundada em 1876, a cidade que hoje abriga cerca de 33 mil habitantes nasceu do desbravamento da família Pereira Barreto pelo sertão paulista, em busca de terras férteis para o cultivo de café.
De 800 alqueires de terra roxa adquiridos pelos fundadores, originou-se o município que carrega no nome uma homenagem à flor cravina, na época abundante na propriedade do patriarca Luiz Pereira Barreto. A fertilidade do solo cativou a atenção de outros produtores. Atraídos pela possibilidade de um plantio próspero, trabalhadores rurais de toda a região se mudaram para a cidade que, na época, era um povoado.
Em meados de 1883, a construção da Estação Ferroviária, que hoje passa por restauro para se transformar em um centro de cultura e gastronomia, impulsionou o progresso e a migração de produtores rurais que, aos poucos, criaram raízes e se estabeleceram na repleta de encantos, Cravinhos. Descrita em seu hino como uma terra formosa, onde os pujantes cafezais quase se perdem no horizonte, a cidade passou por transformações significativas ao longo de sua história, principalmente em relação às atividades econômicas.
Os cafezais e canaviais continuam contornando o município de 311 quilômetros quadrados, mas já não representam a principal fonte da economia. Em quase um século e meio de existência, Cravinhos testemunhou a agropecuária perder sua posição de destaque, dando lugar ao setor de serviços, que hoje representa 52% do PIB local, e à indústria, que corresponde a 26,5% do PIB.
“Diversos fatores contribuíram para essa guinada que a cidade deu nos últimos anos. O suporte aos empresários aliado à nossa localização estratégica, são os dois principais. Temos crescido muito e, com essa estrutura, o morador não precisa mais sair para procurar por recursos em outras cidades. Temos de tudo um pouco”, afirma José Augusto Catapani, secretário municipal de Obras.
Serviços em alta
O crescimento industrial de Cravinhos também impulsiona o desenvolvimento de outros setores, como o de serviços. Essa correlação é simples: quanto mais oportunidades de emprego surgem com a expansão da indústria, mais pessoas são atraídas ao município em busca de trabalho. A chegada de novos moradores aumenta a demanda por produtos e serviços – e, consequentemente, tudo isso leva ao crescimento do terceiro setor.
Um exemplo recente dessa dinâmica é a inauguração, em Cravinhos, do primeiro outlet da região. Resultado de um investimento de R$ 400 milhões, o centro comercial ocupa uma área de 120 mil metros quadrados e tem capacidade para 100 lojas. O projeto levou 18 meses para ser concluído. “Vai atrair muitos visitantes, além de gerar muitos empregos diretos e indiretos. Enxergamos esse empreendimento como uma nova oportunidade de crescimento para o município”, diz Catapani.
A expectativa é compartilhada pelo empresário Sérgio Beraldo, proprietário da pizzaria Nostra Massa, que inaugurou uma unidade dentro do outlet. “Sempre tive vontade de empreender, ter meu próprio negócio, gerar empregos. A partir disso, surgiu a nossa pizzaria, como um modelo de negócio diferenciado: massa fresca, 12 fatias e muito capricho tanto nos produtos quanto no atendimento”, afirma Beraldo, que inaugurou a Nostra Massa em 2016, em sociedade com a mulher.
Um ano depois, tornou-se cooperado da Cocred e passou a contar com o apoio da cooperativa para expandir os negócios. Atualmente, são quatro unidades, sendo três em Cravinhos e uma em Ribeirão Preto (SP). “No começo, eu fazia as massas, minha esposa ficava na cozinha e minha cunhada no caixa. Hoje, só na unidade principal, temos 30 funcionários. Somando todas as unidades, são 3,5 mil clientes atendidos mensalmente”, conta.
A parceria com a Cocred também é motivo de orgulho. Além de utilizar as maquininhas de cartão Sipag nas pizzarias, Beraldo também obteve recurso do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), por intermédio da cooperativa, para tornar a unidade principal mais sustentável. Localizada no Centro da cidade, em um imponente casarão de arquitetura preservada, a matriz da Nostra Massa recebeu, recentemente, painéis de energia fotovoltaica, que reduzem os custos com eletricidade e o impacto ambiental.
“Foi uma ótima alternativa. Esse casarão estava praticamente abandonado. As folhas tapavam toda a fachada e a varanda maravilhosa que temos. Quando viemos visitar, tivemos a ideia de trabalhar para que o espaço também fosse um diferencial do nosso negócio”, diz o empresário, que já planeja implantar um espaço kids no jardim e áreas reservadas para confraternizações.

Turismo e lazer
Mas quem pensa que Cravinhos se restringe a polo industrial e centro de prestação de serviços está redondamente enganado. O município oferece opções diversificadas de turismo e lazer: parques ecológicos, bibliotecas, museus e brinquedotecas mesclam mmodernidade ao charme interiorano.
Um dos locais mais visitados, por exemplo, é o Museu de História Natural, que abriga cerca de 2 mil animais taxidermizados. Por semana, são aproximadamente 300 visitantes. “Recebemos pessoas de toda a região, especialmente crianças. Essa interação com os animais em tamanho real é fundamental para a preservação ambiental e para despertar o interesse pela natureza”, explica Hugo de Araújo Tormente Júnior, coordenador do museu.
A Igreja Matriz de São José é outro marco histórico. Inaugurada em 1904, preserva a arquitetura original em estilo romano, com exuberantes vitrais que retratam o calvário de Jesus Cristo. O santuário, assim como, a Igreja Matriz de Santa Luzia, a Igreja de São Benedito, a Igreja Nossa Senhora Aparecida e a Capela de Santos Reis, são os destinos mais procurados pelos romeiros que percorrem o Caminho da Fé – Cravinhos faz parte do trajeto – até o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no Vale do Paraíba.
Por fim, Cravinhos também é destino de quem busca contato com a natureza. Além de trilhas e passeios guiados pela zona rural, o município conta com o Parque Ecológico Doutor Renato Pagano, que oferece espaço para atividades ao ar livre e pesca esportiva. “Cravinhos é um município muito bom, tanto para visitar, quanto para morar”, afirma o secretário de Obras.

Sicoob Cocred
Moderna, espaçosa e sustentável. A nova agência da Cocred em Cravinhos, inaugurada há pouco mais de um ano, reúne aplicações tecnológicas e inovadoras, e que preservam o meio ambiente. Com quase 500 metros quadrados, o posto de atendimento conta com placas para geração de energia solar fotovoltaica, sistemas de iluminação sustentável e de economia de água, com a possibilidade de reúso da água da chuva para irrigação da área externa, onde estão plantadas espécies nativas brasileiras.
A unidade atende cerca de 2 mil cooperados, sendo 67% pessoas físicas e 33% jurídicas, com produtos e serviços financeiros personalizados: conta corrente, poupança, linhas de crédito, investimentos, cartões, consórcios, seguros e maquininha de cartões, com taxas e tarifas reduzidas. Afinal, por ser uma cooperativa, não objetiva o lucro. O foco do seu trabalho é atender às necessidades dos cooperados e, por consequência, atuar pelo desenvolvimento de todo o município.

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