Qual a primeira coisa que você faz ao abrir os olhos pela manhã? Para muitas pessoas, o comportamento é automático: pegar o celular ainda na cama. Seja para checar notificações, atualizar redes sociais, responder mensagens ou organizar os compromissos do dia, o ato de se conectar à internet já é parte da rotina. Em uma sociedade que vive o fenômeno conhecido como “cronicamente online”, estar desconectado causa mais estranhamento do que estar constantemente disponível.
De acordo com o Relatório Digital de 2024, produzido pela We Are Social e Meltwater, os brasileiros passam, em média, 9 horas e 13 minutos por dia conectados à internet, o que representa um dos índices mais altos do mundo, atrás apenas da África do Sul. O dado evidencia a consolidação de um padrão comportamental que pode ser analisado sob, ao menos, dois aspectos. O primeiro é o quanto a tecnologia está integrada ao cotidiano dos brasileiros, gerando benefícios em termos de praticidade, inovação e desenvolvimento.
O segundo é a crescente vulnerabilidade gerada por esse comportamento, que expõe os usuários à ação de criminosos e à proliferação de crimes virtuais. Com os celulares cada vez mais multifuncionais, que concentram aplicativos de bancos, redes sociais, dados pessoais e profissionais, tornou-se mais fácil e altamente lucrativo para os golpistas explorarem brechas digitais. Apesar dos avanços em cibersegurança, não são poucos os brasileiros que se tornam alvo desses crimes.
A 21ª edição da Pesquisa Nacional do Instituto DataSenado, divulgada em outubro de 2023, revelou que 24% dos brasileiros já haviam sido vítimas de algum tipo de golpe digital no período de um ano, o que representa aproximadamente um em cada quatro cidadãos. O engenheiro agrônomo Paulo Roberto de Siqueira Junior, cooperado da COCRED desde 2008, quase se tornou parte dessa estatística.
Morador de Sertãozinho (SP), ele foi surpreendido por uma mensagem no WhatsApp, em nome do Sicoob, oferecendo uma proposta de capital de giro pré-aprovada. A comunicação, com aparência profissional e linguagem convincente, trazia um link para um suposto atendimento personalizado.
“Eles colocaram até o logo da instituição, algo muito bem-feito. E você recebe aquilo, percebe aquelas ofertas vantajosas e aquilo chama a atenção. Hoje em dia, a gente tem que ficar esperto da hora que acorda até a hora de dormir”, aponta o engenheiro.
Suspeitando do golpe, Paulo buscou imediatamente apoio junto à sua gerente de contas da COCRED, Simone Maria Miranda, que confirmou a fraude. “Ela logo me respondeu, disse que verificaria com os departamentos responsáveis e me retornou. Esse retorno dela em identificar a fraude foi muito rápido”, relata o cooperado. A agilidade na resposta foi fundamental para evitar consequências graves.
Mais do que o risco de desvio de dinheiro, o simples ato de clicar em um link pode causar prejuízos ainda maiores, como explica o diretor de Riscos, Controles Internos e Compliance da COCRED, Juliano Bomfim. “Muitas vezes, o desvio imediato de dinheiro não é o maior problema. Ao clicar em um link malicioso, o usuário pode permitir o acesso irrestrito de criminosos ao seu dispositivo, comprometendo não só dados bancários, mas toda a estrutura de informações pessoais e profissionais. É por isso que cultivamos, dentro da COCRED, uma cultura de segurança e prevenção, tanto entre os nossos colaboradores quanto junto aos cooperados, por meio de ações educativas contínuas”, afirma.

Enquanto instituição financeira cooperativa, a COCRED reconhece seu papel central na promoção de boas práticas de cibersegurança. A atuação da cooperativa vai além da prevenção pontual e inclui campanhas internas de conscientização, procedimentos de verificação em múltiplos canais e investimentos robustos em infraestrutura digital. A lógica adotada é de que quanto mais preparada estiver a instituição, mais segura será a experiência dos cooperados. “A ideia vai de encontro com a Visão da cooperativa de proporcionar a melhor experiência financeira aos nossos cooperados.
E isso inclui garantir que essa experiência seja segura, confiável e transparente em todos os aspectos. Investimento em infraestrutura, significa também investimento em capacitação profissional, para que os colaboradores, munidos de conhecimento, possam auxiliar os cooperados em todos os momentos”, reforça o diretor.
A mensagem que Siqueira Júnior recebeu é um exemplo clássico de phishing, uma das modalidades mais comuns e perigosas de fraude digital. Nessa prática criminosa, os golpistas utilizam recursos que simulam, com alto grau de realismo, a identidade visual, a linguagem e até o comportamento de instituições, como cooperativas, bancos ou até mesmo órgãos públicos. O objetivo é induzir a vítima a clicar em links maliciosos, preencher formulários falsos ou baixar arquivos comprometidos. Essas ações, muitas vezes aparentemente inofensivas, podem dar a criminoso acesso a dados bancários, senhas, informações pessoais e até o controle remoto do dispositivo da vítima.
Uma das características mais preocupantes do phishing é sua constante evolução. Os cibercriminosos aperfeiçoam diariamente suas táticas, empregando engenharia social, uso de inteligência artificial e técnicas de manipulação emocional para tornar as armadilhas cada vez mais difíceis de serem identificadas. Diante desse cenário desafiador, a COCRED mantém um compromisso contínuo com a atualização de sistemas, processos e práticas, garantindo que suas estruturas estejam sempre alinhadas com os mais altos padrões de segurança cibernética.
Ameaça constante
O número de crimes digitais praticados no Brasil, em 2025, cresceu 45% em relação ao ano anterior, somando cerca de 5 milhões de fraudes praticadas, segundo a Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP). Entre os golpes mais comuns estão os falsos boletos, links enviados por aplicativos de mensagens com promessas de prêmios, falsas centrais de atendimento e sites clonados de instituições financeiras.
O advogado Izildo Souza, especialista em Tecnologia, Direito e Perícia Forense Computacional, alerta que o perfil dos golpistas nem sempre corresponde ao imaginário popular e isso aumenta os riscos. “Muita gente ainda pensa que os golpistas são hackers com alto conhecimento técnico. Mas, na prática, muitos são jovens que compram kits prontos de sites falsos e instruções para aplicar golpes. Então, todo cuidado é pouco.”
Esse cenário se torna ainda mais preocupante diante da crescente sofisticação das fraudes, impulsionada, segundo o especialista, pelo uso da inteligência artificial. Ferramentas antes consideradas recursos inovadores para produtividade e criatividade passaram a ser usadas de forma criminosa. A clonagem de vozes e rostos, por exemplo, está entre os métodos mais preocupantes.
Com poucos dados coletados da vítima ou de terceiros, criminosos conseguem criar áudios e vídeos falsos extremamente convincentes, simulando ligações, mensagens de voz e até chamadas de vídeo com parentes, colegas de trabalho ou representantes de instituições, tornando cada vez mais difícil diferenciar uma comunicação oficial de uma fraudulenta.
O advogado orienta: a primeira ação, após ser vítima de um golpe, deve ser relatar imediatamente à instituição financeira e registrar um boletim de ocorrência, mesmo que online. “É essencial acompanhar a investigação”, reforça. Esses crimes, registrados como estelionato eletrônico, falsidade ideológica, invasão de dispositivo e uso indevido de dados pessoais, de acordo com cada caso, são previstos no Código Penal e podem resultar em penas que chegam a oito anos de prisão, além de multa.
Para se proteger, além de manter os dispositivos atualizados e usar ferramentas de segurança, é fundamental adotar comportamentos preventivos. Afinal, a maioria dos golpistas se aproveita de distrações e impulsos emocionais dos usuários.
Confira algumas dicas do especialista.
- Desconfie de ofertas “vantajosas demais para serem verdade”;
- Evite clicar em links enviados por contatos desconhecidos ou em mensagens com tom de urgência e promessas imediatas;
- Nunca repasse informações bancárias e dados pessoais por mensagens ou formulários não verificados;
- Habilite a verificação em duas etapas em todos os aplicativos e serviços que ofereçam essa opção;
- Consulte sua instituição financeira antes de realizar qualquer transação solicitada.
Segurança Interna
Atenta à crescente sofisticação dos crimes virtuais, a COCRED investe em soluções de cibersegurança para fortalecer suas defesas digitais constantemente. Em janeiro de 2025, a cooperativa iniciou a substituição da antiga plataforma de segurança corporativa por uma solução mais robusta da CrowdStrike, empresa estadunidense de tecnologia e segurança cibernética. A nova plataforma, reconhecida mundialmente pela capacidade proativa de detecção de ameaças, vem sendo implantada gradualmente.
A ferramenta Endpoint Detectionand Response (EDR) foi projetada para proteger o ambiente da cooperativa contra vírus e outras ameaças cibernéticas e atua em tempo real na detecção de ameaças, resposta a incidentes, coleta e análise de dados das atividades nos computadores, notebooks e servidores, além de investigar comportamentos suspeitos. Por fim, permite conter e mitigar rapidamente quaisquer ameaças identificadas, fortalecendo a segurança do ambiente corporativo.
A decisão de aderir à nova solução veio após estudo técnico e comercial que demonstrou viabilidade e vantagens estratégicas. Em um cenário cada vez mais desafiador no campo da segurança digital, esse movimento alinha-se às melhores práticas do setor e às exigências regulatórias que regem a cooperativa.
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