Avanço do crédito cooperativo movimenta o campo e ajuda a recuperar empresas

Avanço do crédito cooperativo movimenta o campo e ajuda a recuperar empresas

Quando o comércio precisou fechar as portas para ajudar a conter a propagação da Covid-19, Rogério Rancan ficou preocupado. Dono de uma rede de lojas em Sertãozinho-SP e região, viu as vendas zerarem durante os períodos mais difíceis de enfrentamento da doença. Não podia, porém, deixar que mais 30 anos de dedicação da família a esse tipo de negócio escapassem pelos dedos.

Sem movimento, mas com contas a pagar, como os salários de cerca de 80 funcionários, começou a pensar em estratégias de sobrevivência. E experimentou o e-commerce. Ora, se as pessoas estavam em casa para se proteger do novo vírus, por que não fazer os produtos chegarem até elas?

Deu certo. Para cuidar das vendas online, ele destinou um colaborador. Hoje, tem sete nesta área, que já fatura mais que uma loja física. E pretende novas expansões.

Nesses quase três anos desde que os empresários brasileiros passaram a se adaptar às exigências sanitárias contra a pandemia, a Cocred foi, segundo Rancan, fundamental para que mantivesse as atividades.

“Com o crédito que conseguimos na cooperativa, tivemos maior poder de negociação, comprando em maior volume e à vista, e conseguindo, assim, preços mais competitivos. Também pudemos fazer algumas reformas, trocas de móveis, adequações”.

Rancan tem participação em três tipos de segmentos: de bijuterias, com a Lika, presente em seis municípios (Sertãozinho, Pontal, Barrinha, Itápolis, Barretos e Catanduva); de roupas, com a Fashion (que tem lojas em Sertãozinho, Jaboticabal e Pitangueiras); e de joias, com a Camila Joias Folheadas, em Sertãozinho – essas duas últimas marcas em sociedade com a irmã.

Aos 17 anos, ele trabalhava numa metalúrgica quando foi chamado a colaborar com o pai, que distribuía cosméticos. Numa viagem a Fortaleza, percebeu a força do mercado de bijuterias. E, na volta, que a região não tinha lojas desse setor. Montou uma “portinha”, um estabelecimento de 3 x 3 metros. “Foi um sucesso”.

Segundo Rancan, o crescimento foi consequência do trabalho. “A gente faz com prazer. E foi muito bom ver que conseguimos manter os negócios na pandemia, reinvestindo, não fechando nenhuma loja. As linhas de crédito da Cocred tiveram papel importantíssimo nisso. Estamos chegando de novo no faturamento que tínhamos antes da pandemia.”

Rogério Rancan

Crescimento

A exemplo de Rancan, cada vez mais gente descobre as vantagens do crédito cooperativo. Em evento recente promovido pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), o presidente do Banco Central, Roberto Campos, informou que o avanço desse tipo de crédito no país, de julho de 2021 a junho de 2022, foi de 29% em média, contra 17% de todo o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“Nunca é demais frisar o papel que as cooperativas exercem no desenvolvimento das comunidades onde estão inseridas, impactando positivamente variáveis como renda, emprego e empreendedorismo”, disse ele.

Quando abordou especificamente as cooperativas de crédito, Campos lembrou que elas promovem inclusão por meio da educação financeira, alcançam lugares remotos, onde bancos tradicionais não chegam, e podem abrir novas possibilidades de negócios a partir de inovações tecnológicas recentes, como o PIX e a digitalização dos serviços.

Negócio polpudo

A pandemia de Covid-19 também representou um desafio para a Autitec, localizada em Pradópolis-SP. Mas, nesse caso, não pelo risco de perder vendas. A preocupação dos gestores da empresa, especializada na fabricação de equipamentos para extrair polpa de fruta para suco ou para envasamento – a chamada “polpa asséptica” –, era outra: ganhar mercado, já que as principais concorrentes estrangeiras pararam de investir no Brasil por causa da emergência sanitária.

Segundo Jonas Aparecido da Silva, um dos administradores, a adesão à Cocred, em 2020, veio em boa hora. A Autitec não apenas se tornou cooperada como passou a usar crédito para aumentar o estoque de matéria-prima, dar aos clientes mais tempo para quitar os equipamentos, investir em barracões, sala de automação, estrutura para pintura e polimento, além de qualificar a mão de obra e as equipes de Engenharia e de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de Produtos.

“Os recursos contribuíram para que a média anual de clientes, que era de 7 a 8 por ano, passasse para 18 em 2020 e 2021”, afirma Jonas. “É muito interessante a filosofia da cooperativa. O cooperado quer pegar o dinheiro e pagar certinho. Ele se preocupa que a instituição dê resultado, porque ele também ganha com isso”, emenda ele, se referindo às taxas e tarifas menores das cooperativas de crédito em relação aos bancos tradicionais e à distribuição, proporcionalmente aos valores movimentados, dos resultados financeiros ao final de cada ciclo anual – as chamadas Sobras.

Jonas Aparecido da Silva

Com 15 anos de mercado, a Autitec foi fundada por Jonas e pelo irmão, Danilo Aparecido da Silva. Tempos depois, Cristiane Louzada da Silveira Silva, casada com Danilo, e Patrícia Aparecida Rodrigues da Silva, esposa de Jonas, entraram na empresa, que tem 25 funcionários. Nessa uma década e meia, eles instalaram 70 pasteurizadores assépticos, que estão distribuídos por todas as regiões brasileiras.

E o que fazem esses equipamentos? Permitem estocar polpa de frutas em tambores de 200 quilos por um ano e meio a dois anos, em temperatura ambiente e sem conservantes químicos. Com isso, os agricultores conseguem melhorar a rentabilidade, principalmente durante a safra, quando o volume de frutos é muito grande.

“Os agricultores trabalham em um setor bastante complicado. Além de enfrentarem riscos de secas e chuvas, que podem comprometer a lavoura, têm que vender, quando colhem, em uma semana. Do contrário, a fruta apodrece”, explica Jonas. “O objetivo é que, com o equipamento, ele tenha maior lucratividade e competividade”.

Modelo cooperativo

Competitividade é palavra de ordem também na Fazenda Monte Verde, que fica entre os municípios de Araçatuba e Guararapes. Ali, Thomas Rocco e o irmão, Daniel, não produzem frutas. Mas contam com a Cocred para fazer investimentos na propriedade.

Eles plantam 400 hectares por ano, principalmente de soja, milho e feijão. Desses, 80 são irrigados e 120 destinados à Integração Lavoura-Pecuária (ILP). Para reduzir os custos com energia elétrica, muito consumida nas práticas de irrigação, fizeram, no segundo semestre de 2022, um investimento de R$ 100 mil em placas fotovoltaicas, para geração de energia solar.

Para isso, tinham uma carta na manga. Ou melhor, no bolso: o cartão de crédito da Cocred. “Com o cartão, usamos o desconto à vista de pagamento e parcelamos a uma taxa baixa, o que, pra nós, foi vantajoso”, afirma Rocco, que também é presidente do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran). A previsão é que estrutura gere 3 mil kwh/mês, suficientes para zerar o consumo da fazenda.

Na avaliação de Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), esse movimento em direção ao crédito cooperativo deve crescer ainda mais nos próximos anos. Para ele, a explicação está na capacidade de as cooperativas mostrarem resultados, o que contribui para estabelecer uma relação de confiança com a sociedade.

“Aos poucos, as pessoas têm buscado um processo de vida mais solidário, um modelo econômico mais compartilhado. O cooperativismo, mesmo que indiretamente, acaba sendo a resposta mais adequada, que mais se ajusta a esse momento. As pessoas estão reconhecendo que o cooperativismo é muito efetivo”.

Márcio Lopes de Freitas (Foto: Flora Egécia)

Freitas destaca, também, nesse processo, a evolução da governança cooperativa, que passou, segundo ele, por uma fase de profissionalização e aperfeiçoamento. “Isso foi um trabalho de médio e longo prazos que vêm surtindo resultados. O Banco Central participou muito disso. Agora, o sistema tem uma gestão capaz de resolver seus problemas internamente. Essa maturidade é percebida pela sociedade, o que leva a um processo de confiança ainda mais amplo no modelo do cooperativismo”.

Como desafios para manter esse vigor, o presidente da OCB cita, principalmente, investimentos em comunicação, para ampliar a divulgação dos ideais do cooperativismo. “Estamos usando mais as redes sociais, além dos veículos tradicionais, e pensando em metas grandes, que mostrem o desempenho e a solidez das cooperativas”.

Pós-pandemia

A percepção sobre os benefícios do crédito cooperativo foi impulsionada, entre outros fatores, a partir das dificuldades impostas pela pandemia de Covid-19. Freitas acredita que a crise sanitária demonstrou que organismos internacionais, governos e instituições tradicionais não conseguem atender a todas as demandas das pessoas, o que leva à procura por outros modelos.

O diretor de Coordenação Sistêmica e Relações Institucionais do Sicoob, Ênio Meinen, que é advogado e pós-graduado em direito da empresa e economia, pensa na mesma linha. Ele avalia que, durante o período mais agudo da pandemia, as propostas de valor das cooperativas financeiras despertaram curiosidade e aproximação de indivíduos e empreendedores. As cooperativas financeiras, por sua vez, responderam e continuam respondendo bem, ofertando crédito mais rápido e de maneira consistente.

“As respostas para a concessão de crédito têm sido mais efetivas e rápidas do que a média do sistema financeiro, notadamente para pessoas físicas e para os pequenos negócios. As cooperativas, inclusive, têm cumprido um papel contracíclico relevante, o que vem contribuindo para a redinamização da economia”, avalia Meinen.

Thomas Rocco (Foto: Divulgação Siran)

Protagonismo e expansão

O Sicoob, sistema do qual a Cocred faz parte, é protagonista no segmento de crédito cooperativo. Com quase 7 milhões de cooperados em todo o território nacional, que são atendidos por cerca de 50 mil colaboradores, responde por 42% do volume de negócios do sistema financeiro cooperativo do Brasil. Conforme Meinen, são números que ainda têm muito espaço para crescer.

“As expectativas são as melhores possíveis. Com sua amplitude de portfólio, condições comerciais e o engajamento de sua legião de colaboradores, as cooperativas vão continuar avançando com força no mercado financeiro nacional. Em cinco anos, elas deverão alcançar pelo menos 20% de todo o crédito fornecido no país [atualmente, é de cerca de 10%]. Para os micro e pequenos empreendedores, esse percentual será alcançado em dois anos, no máximo”.

 Na Sicoob Cocred, a carteira de crédito cresceu, em um ano, mais que o índice médio de 29% das cooperativas financeiras nacionais. No período mencionado pelo presidente do Banco Central, de julho de 2021 a junho de 22, passou de R$ 3,7 bilhões para R$ 5 bilhões, um incremento de 35%. Já o número de cooperados saltou, nesses mesmos 12 meses, de 48,2 mil para 51,7 mil. No final de 2022, superava os 57 mil – nos últimos seis meses, portanto, o crescimento foi maior que o de um ano anterior inteiro.

Para o presidente do Conselho de Administração da Cocred, Giovanni Rossanez, essa expansão demonstra o alto nível de confiança que a cooperativa foi conquistando em seus 53 anos de história junto às comunidades onde atua. “Temos uma instituição cada vez mais sólida, em contínuo crescimento e que cumpre um papel fundamental: estimular desenvolvimento econômico e social por meio da cooperação, sempre mantendo o foco nas pessoas”.

Revista Cocred Mais

A edição 42 da Revista Cocred Mais traz esta e outras reportagens sobre cooperativismo de crédito. Clique aqui e confira.

Ênio Meinen (Foto: Guilherme Kardel)

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