Confiança: o alicerce do cooperativismo de crédito que transforma realidades

Confiança: o alicerce do cooperativismo de crédito que transforma realidades

Se precisasse definir em apenas uma palavra a relação entre cooperativa e cooperado, o empresário Fernando Mantelli escolheria “confiança”. A resposta sintetiza a trajetória de quem encontrou, no cooperativismo, mais do que apoio financeiro. Proprietário de uma mercearia tradicional de Viradouro (SP), daquelas conhecidas como “fecha nunca” e “tem de tudo”, Mantelli representa um tipo específico de empreendedor brasileiro: aquele que nasce das urgências da vida.

A virada começou quando um acidente doméstico deixou sequelas no tornozelo que o impediram de continuar trabalhando em uma usina da cidade. Foi diante dessa interrupção abrupta na rotina que ele, a esposa e o sogro decidiram tentar algo que mudaria completamente o futuro da família.

Com as economias que possuíam, abriram uma pequena sorveteria. Sem experiência, Mantelli precisou lidar com os desafios de ser um comerciante antes mesmo de se considerar um. “Já trabalhei na roça, trabalhei mais de 10 anos como pedreiro e nunca tinha mexido com comércio, não tinha nenhum pingo de noção de comércio, negócios, nada. Meti a cara e fui”, relembra. Entre erros e acertos, a sorveteria foi ganhando mais produtos, mais clientes, mais propósito.

Com o tempo, o negócio evoluiu até chegar ao modelo atual, como uma mercearia e conveniência. A estrutura maior passou a reunir hortifruti, açougue, padaria, bebidas, embalagens e um setor de utilidades domésticas, virando referência na cidade. “O pessoal fala que é o shopping de Viradouro. É difícil você ir lá e não achar o que procura”, brinca o empresário.

De prateleira em prateleira, o espaço físico cresceu e cresceu rápido demais para o terreno original. Vieram novas áreas, ampliações sucessivas, reformas estruturais e modernização. Vieram também mais empregos e oportunidades compartilhadas. Hoje, são mais de 40 colaboradores, muitos deles moradores do próprio bairro.

A expansão do negócio coincidiu com um movimento nacional de fortalecimento do empresariado brasileiro. De acordo com o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o Brasil encerrou o segundo quadrimestre de 2025 com 24,2 milhões de empresas ativas. Dessas, cerca de 93,8% são micro e pequenas empresas (MPEs). Em cidades como Viradouro, com pouco mais de 17 mil habitantes, são negócios assim que seguram a economia local.

Foi nesse cenário de crescimento e novos desafios que o cooperativismo se fez decisivo na trajetória de Mantelli. O ritmo da expansão exigia crédito acessível, planejamento e uma instituição capaz de olhar para o negócio com proximidade, entendendo exatamente quais eram as suas necessidades. Quando chegou à COCRED, o empresário foi tratado como alguém que carregava um sonho e confiava esse sonho à instituição.

Atualmente, Mantelli integra o grupo dos mais de 20 milhões de brasileiros associados ao cooperativismo de crédito, ramo que representa a maior força do cooperativismo nacional. Com taxas justas, atendimento consultivo e uma equipe que compreendeu o potencial do negócio, o empresário conseguiu ampliar a estrutura física, reforçar o estoque, ajustar o fluxo de caixa e planejar investimentos a médio e longo prazo.

Em 2025, voltou a contar com o apoio da cooperativa, desta vez para viabilizar a reinauguração do estabelecimento após mais uma reforma de expansão. A parceria também tornou possível a instalação de placas de energia solar, garantindo economia operacional e alinhando o empreendimento a práticas sustentáveis.

A trajetória de Mantelli representa a de milhões de brasileiros que encontraram no cooperativismo de crédito um caminho sólido para crescer de forma sustentável. Esse impacto se reflete em números expressivos: o ramo já está presente em 58% do território nacional, fortalecendo economias locais por meio da geração de trabalho, renda e desenvolvimento.

Com mais de 10 mil postos de atendimento distribuídos pelo país, as cooperativas de crédito seguem ampliando a presença territorial. No período de um ano, intensificaram a cobertura nacional e passaram a atuar em 51 novos municípios. O movimento ocorre na contramão das demais instituições financeiras convencionais, que, no mesmo intervalo de 2024, reduziram a atuação e deixaram de estar presentes em mais de 150 municípios, de acordo com o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025.

Esse avanço coloca as cooperativas em destaque dentro do Sistema Financeiro Nacional, proporcionando acesso da população às soluções financeiras e promovendo desenvolvimento regional de forma estruturada. Em 469 municípios, as cooperativas são as únicas instituições financeiras com atendimento presencial, evidenciando o papel essencial no atendimento a comunidades historicamente desassistidas.

Quando o assunto é crédito, esse peso econômico se torna ainda mais evidente. No acumulado do ano, as cooperativas de crédito movimentaram R$ 454,65 bilhões em operações de crédito no Brasil, ampliando o acesso a recursos para negócios como o de Mantelli e impulsionando a economia real.

Cooperativismo de crédito no Brasil

  • 469 municípios atendidos exclusivamente por cooperativas de crédito
  • 10.220 unidades de atendimento
  • 20.123.965 cooperados
  • 121.825 empregos diretos
  • R$ 989,4 bilhões em ativos totais
  • R$ 454,65 bilhões em operações de crédito

Fonte: Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025.

Do crédito ao trabalho continuado

Mas o cooperativismo não está presente apenas no início das histórias, quando o crédito permite tirar uma ideia do papel ou expandir um projeto. Ele se mantém no dia a dia dos negócios, sustentando a continuidade, oferecendo ferramentas que garantem estabilidade e segurança ao longo do tempo. É o que acontece no Magazine Adib, em Pontal (SP), administrado por Telma Aparecida Damião Carolo, que está há 50 anos à frente do comércio.

Tradicional no município, o negócio atravessou transformações profundas ao longo das décadas. Os meios de pagamento mudaram, a digitalização avançou, a concorrência aumentou e manter um fluxo de caixa bem-organizado passou a ser um desafio. Telma enfrentou cada uma dessas etapas com persistência e com o apoio da COCRED.

Ela conta que sempre manteve relacionamento com diferentes bancos, mas que foi na cooperativa que encontrou proximidade, algo que, segundo ela, faz toda a diferença na rotina de quem empreende. “Para quem tem comércio, o atendimento facilita tudo. Na COCRED, você é atendida fácil. Eles resolvem, ajudam, recebem duplicata, arrumam troco, olham a conta, acompanham. Isso é muito importante”, afirma.

Com a cooperativa, Telma passou a utilizar soluções que contribuíram para a organização da gestão financeira, especialmente as maquininhas Sipag. “Eu tive um problema com outra máquina, porque estavam descontando como se eu tivesse solicitado adiantamento do cartão, mas nunca fiz isso. Devolvi na hora. Depois disso, comecei a usar só a maquininha Sipag, porque nunca me deu dor de cabeça.”

O relacionamento próximo com a equipe da agência reforçou ainda mais essa confiança. “Se eu preciso aumentar o limite do cartão, conferir alguma movimentação, tirar uma dúvida, tudo eles conferem para mim. É fácil. É diferente”, relata. Além da maquininha Sipag, o vínculo com a cooperativa se constrói no cotidiano. O marido de Telma é quem mantém a rotina de visitas à agência para resolver as demandas do negócio.

Essa convivência frequente fortalece uma relação de confiança mútua. Enquanto a cooperativa conhece de perto a realidade da empresa, o empreendedor se sente seguro para contar com esse suporte no dia a dia. Em uma cooperativa, o empreendedor não é um cliente, mas um cooperado. Isso significa que ele é parte ativa do todo. É essa relação, baseada em proximidade, que sustenta negócios capazes de atravessar décadas, como o de Telma.

Da cidade ao campo

A força do cooperativismo de crédito também se revela longe dos centros urbanos, onde o agronegócio sustenta economias inteiras e exige um tipo de parceria que vá além do crédito pontual. Foi no campo, inclusive, que nasceram as cooperativas de crédito no Brasil, criadas para atender produtores que não encontravam respaldo no sistema financeiro tradicional. A história da COCRED começa nesse mesmo chão, lado a lado com o agro, acompanhando safras, ciclos, riscos e decisões que não cabem em planilhas genéricas, mas sim no atendimento olho no olho.

É nesse contexto que se insere a trajetória do engenheiro agrícola Rafael Silveira Lodo, empreendedor do setor sucroenergético que encontrou no cooperativismo um aliado estratégico para crescer de forma estruturada. O negócio surgiu a partir da produção de mudas de cana-de-açúcar (MPB), um mercado altamente técnico e essencial para a renovação dos canaviais brasileiros. Com área própria e marca consolidada, a empresa expandiu rapidamente após o fechamento de uma grande base produtiva do setor, abrindo espaço para novos fornecedores.

Hoje, a empresa atende usinas e produtores de diferentes portes em várias regiões do país. A operação alcança estados como Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Tocantins, com uma logística que percorre milhares de quilômetros para levar material genético de qualidade a diferentes ambientes de produção. “A gente atende qualquer tipo de produtor, do pequeno ao grande. Onde tem demanda, a gente consegue chegar”, resume Lodo.

As mudas produzidas garantem qualidade genética, redução de pragas e doenças e uma expansão muito mais rápida de novas variedades. “Antes, demorava anos para você conseguir colocar uma nova cana em escala comercial. Hoje, com um hectare, conseguimos expandir muito a produção”, explica. Em um setor pressionado pela mecanização, compactação do solo e necessidade de adaptação a diferentes épocas de colheita, esse ganho é decisivo para a produtividade das lavouras.

O crescimento acelerado, no entanto, exigiu investimentos relevantes em estrutura, área produtiva e capital de giro. Foi nesse momento que a COCRED se tornou parceira do negócio. Rafael já era cooperado como pessoa física desde jovem, mas foi com a abertura da empresa que o relacionamento se aprofundou. A folha de pagamento passou a ser operada pela cooperativa e, aos poucos, a parceria se consolidou também no atendimento às demandas do negócio rural.

“Quando a gente começou a atender grupos grandes, como usinas, tivemos que investir pesado. A COCRED abriu portas para a gente crescer de forma organizada”, conta. Em um mercado marcado por oscilações de preço, queda nas commodities e instabilidade econômica, ter um parceiro financeiro que conhece a realidade do campo faz diferença. “O agro tem ciclos, tem anos bons e anos difíceis. E isso precisa ser entendido.”

Essa proximidade se reflete também no relacionamento humano. “A gente conhece todo mundo da agência. É diferente de outros bancos, que trocam de gerente toda hora. Aqui tem relacionamento de verdade”, afirma o engenheiro. A experiência de Lodo dialoga com a de tantos outros cooperados que, em contextos diferentes, encontram no cooperativismo de crédito o mesmo apoio baseado em confiança e continuidade.

Das prateleiras de uma mercearia no interior paulista às lavouras de cana que abastecem usinas em todo o país, as histórias se conectam por um mesmo fio condutor, a confiança. É ela que sustenta a relação entre cooperativa e cooperado e faz do cooperativismo de crédito um instrumento real de desenvolvimento. Ao apoiar empreendedores urbanos e rurais, as cooperativas de crédito constroem um mundo melhor, fortalecendo famílias, gerando empregos, movimentando economias locais e contribuindo para comunidades mais equilibradas, resilientes e prósperas.

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