Cooperativas financeiras superam bancos privados em crédito rural

Cooperativas financeiras superam bancos privados em crédito rural

Roger Montanari é da quarta geração de produtores de café da família e um dos mais novos cooperados da Sicoob Cocred. Ele e o irmão, Marcelo, parceiro nos negócios, entraram na cooperativa em janeiro de 2022, pelas portas da agência de Uberlândia-MG, inaugurada em julho de 2021.

Ser cooperado os ajuda a manter um projeto de agricultura regenerativa em Patrocínio, município do interior mineiro distante 150 quilômetros de Uberlândia. Eles plantam árvores entre os pés de café, o que sequestra carbono da atmosfera e permite entregar não apenas sabor, mas cuidados com o meio ambiente.

Para custear a produção, de 400 hectares, que rendem, em média, de 15 a 20 mil sacas por ano, os irmãos usam duas linhas de crédito rural oferecidas pela Cocred: o crédito com recursos obrigatórios (RO), em que o Governo Federal determina a taxa de juros máxima a ser cobrada dos produtores dependendo do porte deles, e o Funcafé, um fundo destinado, exclusivamente, ao desenvolvimento do setor cafeeiro.

As taxas de juros das cooperativas financeiras, geralmente menores que as dos bancos, são um atrativo aos agricultores e ajudam a explicar o aumento na procura por esse tipo de recurso. De acordo com o Banco Central (BC), o volume de crédito rural cooperativo liberado no Brasil nos seis primeiros meses do atual ano-safra – que começou em julho de 2022 e vai até junho de 2023 – ultrapassou o dos bancos privados.

Do início de julho ao final de dezembro, as cooperativas emprestaram R$ 39,016 bilhões, um crescimento de 21,08% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o montante dos bancos privados foi de R$ 36,030 bilhões – queda de 0,06%. A participação de mercado do cooperativismo financeiro só não é maior que a dos bancos públicos, que, neste mesmo intervalo de tempo, movimentaram, aproximadamente, R$ 123,7 bilhões.

Das mais de 800 cooperativas financeiras existentes no país, 519 estão habilitadas a operar crédito rural. Conforme o BC, elas vinham, nos últimos anos, sempre atrás dos bancos privados, mas reduzindo a diferença. Até que houve uma inversão das posições.

Roger Montanari (Foto: Acervo pessoal)

Aumento

Na Cocred, o volume de crédito rural concedido nos seis primeiros meses deste ano-safra é bem maior que o do mesmo período da temporada anterior. De julho a dezembro de 2022, foram liberados R$ 1,13 bilhão, contra R$ 780 milhões no mesmo período de 2021 – incremento de 44,87%.

O total de recursos disponibilizados em toda a safra 2021/22 foi de R$ 1,718 bilhão, um recorde para a cooperativa, mas que deve ser batido nesta temporada.

Segundo o diretor de Negócios da Cocred, Gabriel Jorge Pascon, esses resultados são influenciados por, pelo menos, três fatores: a resiliência das cooperativas financeiras durante a pandemia de Covid-19, que ampliaram suas atividades e a atuação nas comunidades; o atendimento humanizado e personalizado que elas oferecem; e, ainda, a consolidação da Cocred como uma das maiores cooperativas financeiras do país, atraindo cada vez mais confiança por parte dos colaboradores, cooperados e dos moradores das regiões onde está presente.

“Quando falamos especificamente do crédito rural, devemos lembrar que o agro está no DNA da nossa cooperativa, que surgiu há 53 anos pelas mãos de 106 produtores rurais. Com o tempo, fomos abrangendo outros setores, mas mantivemos a expertise no agronegócio, que nos credencia a atender às principais necessidades e desejos dos produtores rurais”, explica Pascon.

Outro aspecto do crescimento da busca por crédito rural, segundo o diretor, é que, quanto mais movimentam suas finanças com as cooperativas, mais os cooperados participam da distribuição dos resultados ao final de cada ciclo – as chamadas Sobras.

“Essa é uma das principais diferenças para os bancos. Enquanto nos bancos os lucros ficam nas mãos apenas dos acionistas, nas cooperativas esses valores retornam aos próprios cooperados e à economia regional e local, estimulando o desenvolvimento das comunidades. Portanto, quem se torna cooperado contribui, mesmo indiretamente, para uma a melhor qualidade de vida da população”.

Gabriel Pascon, diretor de Negócios da Sicoob Cocred

Menos carbono

No caso dos Montanari, o crédito rural disponibilizado pela Cocred permite aprimoramentos frequentes no sistema de produção. Antes das árvores, era plantado capim braquiária. Um dia, eles decidiram mensurar quanto de carbono era sequestrado da atmosfera e se surpreenderam.

Segundo Roger, o conceito adotado nas propriedades da família é o de usar o ambiente a favor da produção. Os benefícios são vários. Um deles é uma parceria com a Nespresso, marca do grupo Nestlé. Em 2021, os irmãos receberam a visita dos executivos da companhia na Suíça, que conheceram todo o projeto. Não apenas a arborização, mas um conjunto de práticas para que a lavoura imite as condições da natureza.

Entre essas práticas, estão cultivo de cobertura; seleção das plantas mais resistentes a pragas, doenças e estresse hídrico; fertilização orgânica, por meio de compostagem e rochagem; e uso de fertilizantes biológicos – que saem de uma fábrica própria, de 40 metros quadrados.

Foram os técnicos que prestam consultoria para os irmãos que indicaram os benefícios do cooperativismo financeiro. Pouco tempo depois que a Cocred inaugurou a agência em Uberlândia, lá estavam eles para abrir suas contas.

“O cooperativismo financeiro impulsiona os negócios de forma justa e colaborativa, com taxas e condições mais atrativas que o sistema financeiro tradicional, possibilitando aos cooperados participar dos resultados e das decisões dos rumos da cooperativa”, afirma Roger. “E vejo a Cocred com capacidade para proporcionar um impulso exponencial, com atendimento rápido, transparente e eficiente”.

Importante para começar

Se as linhas de crédito rural da Cocred estimulam a atividade cafeeira em Patrocínio, elas foram fundamentais para que outro produtor rural pudesse empreender. José Alves, que mora em Batatais-SP, planta dois mil hectares de cana e 640 de soja em propriedades espalhadas em seis municípios, dois em São Paulo e quatro em Minas Gerais.

As primeiras áreas começaram a ser cultivadas há sete anos, na Fazenda Lagoa Seca, em Luz-MG. Durante os últimos quatro, ele se dividiu entre esse trabalho e a prestação de serviços em usinas do setor sucroenergético. No final de 2022, decidiu se dedicar, exclusivamente, às próprias lavouras.

A conta na cooperativa foi aberta na mesma época em que se tornou agricultor, o que foi providencial. “Foi só através desse crédito que consegui começar na atividade e crescer. Uso todas as linhas oferecidas pela Cocred. E, todo ano, renovo o pedido. Era o que eu precisava”.

Alves cita, ainda, outro benefício. “Nunca tive problema na liberação dos recursos. Foi sempre muito rápido e sem burocracia”.

Revista Cocred Mais

O crédito rural é um dos assuntos da edição 42 da Revista Cocred Mais. Para conferir o conteúdo completo, clique aqui.

José Alves

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