Cooperativismo: entenda o que é e as vantagens desse modelo

Cooperativismo: entenda o que é e as vantagens desse modelo

Para pessoas físicas e pequenos empreendedores, não é fácil ter acesso a linhas de crédito e outros benefícios que são mais acessíveis às grandes empresas. No entanto, existe um modelo de negócio chamado cooperativismo, capaz de ajudar a potencializar ideias e negócios.

Você já deve ter ouvido falar de cooperativismo em algum lugar. Neste artigo completo, você vai entender tudo sobre o tema, pois vamos explicar a origem do cooperativismo, quando ele veio ao Brasil, quais os seus princípios e os setores em que as cooperativas atuam. Continue lendo!

O que é cooperativismo?

Quando 20 ou mais pessoas ou empresas se juntam em torno de um objetivo comum, ajudando-se mutuamente, temos a cooperação, que é a base de modelo de negócio chamado cooperativismo. A ideia é compartilhar conhecimento, fortalecer o poder de compra dos envolvidos e diluir custos, considerando a alta competitividade do mercado.

Quando, onde e como o cooperativismo nasceu?

Os primórdios do que viria a ser o cooperativismo têm raízes muito remotas, nos tempos da Babilônia. No entanto, a primeira cooperativa surgiu no contexto da Revolução Industrial inglesa. Na ocasião, o trabalho manual dos operários, que era bastante insalubre, estava sendo substituído pelas máquinas.

Visando a melhorar as condições adversas da época, 27 tecelões e uma tecelã resolveram criar aquela que seria a primeira cooperativa do mundo: a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale. A Revolução Industrial, quando não submetia os trabalhadores a longas jornadas de trabalho, causava o desemprego com a implantação das máquinas, que eram inovadoras no período.

O lucro — chamado de Sobras, no cooperativismo não era o objetivo principal dessa cooperativa, mas, sim, a colaboração mútua entre os seus 28 integrantes, que, durante quatro meses, reuniram uma quantia pequena com a colaboração de cada um e abriram uma loja de venda de alimentos. Com o passar do tempo, o movimento foi ganhando força e aumentando bastante o número de adeptos, de forma que produtos com qualidade eram oferecidos a valores acessíveis.

Tudo isso foi amadurecendo a criação, posteriormente, da primeira cooperativa de crédito, na cidade de Delitzsch, na Alemanha. Comerciantes e artesãos, caso precisassem de uma linha de crédito para as suas operações, podiam recorrer ao Vols Bank, ou banco do povo. Depois disso, surgiu a primeira cooperativa de crédito rural naquele país, sendo que esse tipo de negócio se tornou mais numeroso que os bancos do povo.

Com o sucesso das cooperativas na Inglaterra e Alemanha, elas foram se espalhando por outros países da Europa. Já no ano de 1900, surgiu a primeira cooperativa da América do Norte, em Quebec, Canadá. Mais tarde, isso serviu de base para a criação das primeiras cooperativas nos Estados Unidos.

Como o cooperativismo chegou ao Brasil?

Quem trouxe para o Brasil a ideia de ajuda mútua entre as pessoas foram os padres jesuítas, na época de colonização (século XVI), especialmente na região Sul. No entanto, a primeira iniciativa concreta do movimento pré-cooperativista só foi criada mais de 200 anos depois, tendo, como precursor, o francês Jean Maurice Faivre: a Colônia Tereza Cristina, no estado do Paraná.

Como aconteceu na Europa, o movimento foi ganhando adeptos e passou a abranger diversos setores da sociedade civil, culminando na criação da primeira cooperativa do país, em 1887: a Cooperativa de Consumo dos Empregados da Companhia Paulista, em Campinas.

Dois anos depois, surgiu a Sociedade Econômica Cooperativa dos Funcionários Públicos de Minas Gerais, localizada em Ouro Preto, para atender ao setor agropecuário. Em 1902, surgiu a primeira cooperativa de crédito do Brasil, no Rio Grande do Sul.

Como funciona o cooperativismo?

Entender o funcionamento do cooperativismo passa pelo conceito de economia solidária. Ele tem como foco o bem-estar dos indivíduos, que, muitas vezes, são desvalorizados ou não têm as oportunidades devidas no mercado de trabalho.

Trazendo para um contexto prático, muitas pessoas, físicas ou jurídicas, encontram dificuldades para financiar seus negócios. Por mais que as vendas de seus produtos e serviços estejam indo bem, é preciso injetar o caixa com recursos externos, advindos de linhas de créditos ou, até mesmo, investidores.

Para ajudar as pessoas a lidar melhor com esses desafios, o cooperativismo é um movimento que abdica do lucro. Isso significa que o benefício mútuo das pessoas está acima da busca incessante pelo acúmulo de capital, que é considerado um dos principais motores da desigualdade e desemprego em uma sociedade.

Os 20 ou mais membros em uma cooperativa tomam decisões em conjunto. Logo, a democracia é uma característica inerente ao movimento.

Sendo assim, os participantes têm direito a voto, o que é mais ou menos parecido com os arranjos societários de empresas, mas com a diferença fundamental de que cooperados não objetivam as chamadas Sobras de forma prioritária.

Quais as vantagens do cooperativismo?

Quem participa de uma cooperativa só tem a ganhar. A seguir, vamos apresentar os principais benefícios de aderir a esse movimento.

Objetivo comum

Falando em uma linguagem popular, na cooperativa ninguém “puxa o tapete de ninguém”. De fato, esse é um arranjo diferente das empresas de corpo societário, em que sócios podem ver a possibilidade de altos lucros subir à cabeça e prejudicar outro membro da sociedade.

Em uma cooperativa, todos crescem igualmente, com colaboração mútua e compartilhamento de conhecimentos e experiências.

Ser dono do negócio e gestão democrática

Uma vez que a pessoa participa de uma cooperativa, ele passa a ter participação nas Sobras. Como nas sociedades de capital, as cooperativas têm assembleias, de modo que as decisões são tomadas em grupo, com todos os integrantes tendo direito a voto.

Quais os princípios do cooperativismo?

Os 7 princípios do cooperativismo são oriundos da Cooperativa de Rochdale, na Inglaterra. Posteriormente, essas bases sofreram atualizações por parte da Aliança Internacional do Cooperativismo, que estão vigorando desde 1995. Confira, a seguir, cada um deles.

1. Adesão voluntária e livre

Todo aquele que almeja ingressar na cooperativa e somar será aceito. Isso significa que o movimento não faz nenhuma discriminação de sexo, cor, classe social, religião ou posicionamento político — o mais importante é ter boa vontade e aptidão de cooperar com os demais membros.

2. Gestão democrática

No cooperativismo, não existe uma pessoa ou um subgrupo que planeja as ações. Todos podem contribuir e têm o mesmo poder de voto nas assembleias, sendo que algumas pessoas são escolhidas para estar à frente do movimento, como uma escolha puramente democrática.

3. Participação econômica

O capital entre os membros da cooperativa é o mesmo. Se houver Sobras, elas são reinvestidas na cooperativa ou na formação de reservas, por exemplo, de modo a fortalecê-la.

A ideia é sempre dividir igualmente os esforços na gestão da cooperativa entre os seus membros, sendo o reinvestimento das Sobras na formação de capital um meio efetivo de se precaver de crises futuras. A responsabilidade e a solidariedade são os valores mais fortemente trabalhados por esse princípio do cooperativismo.

4. Autonomia e independência

Uma cooperativa pode manter relações com instituições externas. No entanto, isso deve ser feito de modo a não comprometer a autonomia interna de seus membros, pois seria uma transgressão ao que foi definido em Rochdale.

Em outras palavras, agentes externos não podem ter nenhuma influência ou poder de decisão nos rumos da cooperativa. A ideia, aqui, é sempre evitar interesses escusos, favores e privilégios.

Uma cooperativa é independente, mas precisa estar regulada para funcionar. Nesse sentido, as cooperativas financeiras, por exemplo, devem atuar em conformidade com dois órgãos ligados ao estado brasileiro: o CMN (Conselho Monetário Nacional) e o Banco Central do Brasil.

5. Educação, formação e informação

Os membros de uma cooperativa devem ter a formação adequada, caso queiram se eleger a algum cargo futuramente. O conhecimento acerca desses princípios é o primeiro deles, seguido pelas expertises práticas necessárias ao crescimento da cooperativa.

Também deve ser um esforço da parte dos cooperados divulgar o cooperativismo no ambiente escolar. Muitas pessoas, após concluírem o Ensino Médio, jamais ouviram falar no modelo de negócio.

Atualmente, não tem ainda nada concreto relacionado ao cooperativismo nas escolas, mas existe um esforço por parte dos gestores em transmitir esse conhecimento desde cedo às crianças. Não é somente a educação o alvo de divulgação do cooperativismo.

Em igrejas e outros lugares, também se deseja disseminar as ideias do movimento, de modo que mais pessoas venham a conhecer e, até mesmo, aderir. Com as redes sociais alcançando um número ilimitado de pessoas, existem também esforços por parte de cooperativas em tornar o modelo de negócio mais conhecido do grande público, enfatizando os princípios e benefícios de se associar.

6. Intercooperação

Em uma cooperativa, a cooperação pode ocorrer não somente no âmbito local, mas também regional, nacional e até internacional. Para isso acontecer, é preciso que haja a chamada integração horizontal, que nada mais é do que a colaboração entre diversas cooperativas em uma mesma localidade.

Com esse contexto bem estabelecido, torna-se viável passar a uma integração vertical, envolvendo cooperativas de federação e confederação. Dessa forma, o movimento ganha em escalabilidade, tornando-se algo mais conhecido e forte na sociedade, facilitando a sua disseminação em diversos meios.

Trazendo para o segmento das cooperativas financeiras, tanto a integração horizontal quanto a vertical são bastante plausíveis. A razão disso é que existem demandas comuns e estratégicas.

Assim, a soma de esforços e a sinergia entre os diversos agentes vai trazer muitos ganhos de curto, médio e longo prazo aos cooperados. Sempre é importante lembrar que, à medida que a colaboração e a integração entre as cooperativas de qualquer tipo ocorrem, melhor para todos, considerando, entre outras coisas, a redução de custos operacionais.

7. Interesse pela comunidade

Sendo bem prático, as cooperativas devem atuar de modo a promover a manutenção do dinheiro naquela comunidade, trazendo maior bem-estar aos seus moradores e participantes de qualquer cooperativa.

Suponha que um agricultor está à procura de crédito para modernizar as atividades da sua plantação. Estar em conformidade com o princípio de interesse pela comunidade é prestar assistência a ela, seja por um empréstimo, pelo compartilhamento de alguma informação ou conhecimento que possa ser útil.

Ter as Sobras como prioridade secundária vai ao encontro desse princípio, visto que não são aceitas, por exemplo, práticas mercantilistas ou preços abusivos ao público. Obviamente, a cooperativa precisa obter rendimentos para continuar funcionando, mas isso se dá em um patamar menor do que empresas que colocam o capital e o lucro acima do bem de todos.

Por fim, convém frisar que esse interesse pela comunidade implica também no cuidado pelo meio ambiente. Logo, cooperativas devem prezar pelas práticas sustentáveis, para não degradar o lugar onde elas estão atuando.

Quais os ramos de sociedades cooperativas?

A exemplo de empresas tradicionais, sociedades cooperativas nascem de uma necessidade das pessoas. Por vivermos em uma sociedade tão complexa, é esperado que existam muitos ramos de cooperativas, sendo que as principais delas você pode conferir a seguir.

Cooperativas de crédito

Se você já precisou de uma linha de crédito, muito provavelmente se deparou com juros abusivos. No entanto, isso não acontece em uma cooperativa de crédito, visto que ela preza por taxas mais condizentes com a realidade dos empreendedores.

Uma característica fundamental da cooperativa de crédito é que o beneficiário pode ser considerado cliente e, ao mesmo tempo, dono da instituição. Em outras palavras, o empresário que obtém alguma linha de crédito é o mesmo que vota em assembleias e pode até concorrer a algum cargo dentro da sociedade cooperativa.

Os beneficiários têm acesso a cartões de crédito, depósitos, investimentos em renda fixa, entre outros produtos e serviços.

Um benefício importante da cooperativa de crédito é a isenção tributária em depósitos a prazo, por exemplo. Dessa forma, fica mais fácil construir uma sólida reserva financeira, de modo que os associados possam receber rendimentos maiores a médio e longo prazos.

Dessa forma, é possível tocar as operações com mais segurança, sem o medo excessivo de não pagar os juros posteriormente. Na prática, os juros nunca serão maiores do que as possibilidades de um indivíduo pagar.

Por mais que os bancos e instituições tradicionais façam uma análise do histórico da empresa antes de liberar crédito, é inegável que existe certa relação predatória nisso. Em outras palavras, se o empresário deixar de pagar por alguma situação adversa do negócio, terá de arcar com taxas cada vez maiores, aumentando o risco de ir à falência.

Um exemplo de cooperativa de crédito é a Sicoob Cocred, fornecendo serviços a pessoas e empresas, inclusive, empreendedores do campo. O Sicoob é um sistema financeiro cooperativo, considerado o maior do Brasil, enquanto a Cocred é a cooperativa de crédito, propriamente dita.

Cooperativas de transporte

As cooperativas de transporte também são bem conhecidas do público. Hoje em dia, elas têm cerca de 100 mil participantes no Brasil, sendo que a proposta inicial era unir pequenos e médios transportadores de passageiros e cargas. Nesse sentido, é válido citar pessoas que trabalham com:

  • táxi e mototáxi;
  • ônibus urbano;
  • fretamento escolar;
  • transporte de carga seca, líquida, frigorífica, de veículos, entre outros.

Cooperativas de trabalho, de produção de bens e serviços

Esse tipo de cooperativa engloba as seguintes áreas: especiais, mineral, produção e trabalho, além de partes da educação, turismo e lazer. Em relação à primeira área, existem cooperativas que atuam diretamente com pessoas com deficiência com dificuldade de conseguir emprego. Também auxilia dependentes químicos e pessoas em processo de reintegração à sociedade, após cumprimento de pena.

No ramo mineral, a cooperativa lida com atividades como extração, industrialização e comercialização de produtos do segmento. Inclusive, a mineração passa por vários desafios relacionados à demora em obter permissões para exercer a atividade, bem como a dificuldade de obter crédito para a pequena mineração. Também lida com o descaso por parte do poder público em relação à mineração em menor escala.

Já a produção tem cooperativas que atuam na fabricação de bens, produtos e mercadorias. A parte referente ao trabalho tem a missão de atenuar o desemprego das pessoas e os seus muitos males, principalmente relacionados à dificuldade de acesso a itens básicos, como saúde, higiene e alimentação.

Cooperativas de infraestrutura

As cooperativas de infraestrutura no Brasil têm cerca de 1 milhão de cooperados. De forma bem simples, atuam em ramos como telecomunicações, distribuição de energia elétrica e saneamento básico, todos essenciais aos brasileiros.

Em tese, o Estado deveria atuar mais massivamente em infraestrutura. Todavia, o percentual do PIB aplicado é menor do que o necessário. Vale destacar que essas cooperativas foram fundamentais para que pessoas moradoras em lugares longínquos do país tivessem acesso à energia elétrica.

Dentro desse guarda-chuva da infraestrutura, existem também as cooperativas de desenvolvimento e irrigação. As primeiras são responsáveis pela produção de postes e turbinas, por exemplo. Já as outras lidam com a manutenção, a construção e a limpeza dos canais de irrigação.

Cooperativas de saúde

Basicamente, consistem em profissionais da área médica que se associam para prestar algum serviço à população, de âmbito social, humano, econômico ou cultural.

Cooperativas agropecuárias

Agricultores, pecuaristas e pescadores estão entre os membros mais frequentes em uma cooperativa de agropecuária. A ideia é somar esforços em prol do bem comum em áreas rurais, envolvendo, por exemplo:

  • compra mas econômica de insumos;
  • cursos de capacitação para os produtores do campo;
  • assessoria de profissionais da área.

Como a atividade agropecuária é bastante antiga no Brasil, o surgimento das primeiras cooperativas do ramo foi no início do século XX, em Minas Gerais. Por causa disso, é um dos movimentos cooperativos mais fortes do país.

Cooperativas de consumo

A primeira cooperativa, surgida na Inglaterra, era de consumo. A ideia era promover vendas mais baratas para os integrantes, dividindo os custos entre todos.

Logo, a cooperativa de consumo funciona como um sistema de compra coletiva, sendo que a maioria dos produtos obtidos nesse modelo é de itens alimentícios. Por consequência, a agricultura familiar também é apoiada, visto que ela é fundamental para os produtos chegarem até as mesas dos brasileiros.

Como vimos ao longo deste guia completo, o cooperativismo surgiu com o intuito de ajudar pessoas e empreendedores de pequeno porte. Existem diversos tipos de cooperativas, atendendo às mais variadas necessidades da população, sendo caracterizadas por não almejar lucro e considerar todos os seus membros donos do negócio.

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