Declarado como o “Ano Internacional das Cooperativas”, 2025 convida o mundo a refletir sobre a importância de organizações que operam não apenas com base em resultados financeiros, mas com propósito e compromisso com o desenvolvimento das pessoas e comunidades. No Brasil, essa celebração encontra um importante contraponto que desafia o crescimento do país: o avanço da inadimplência.
Frente a esse cenário, o cooperativismo – especialmente o de crédito – emerge como resposta prática e transformadora a essa problemática que já atinge quase metade da população brasileira. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revelam que o país ultrapassou a marca de 70 milhões de brasileiros com o nome negativado.
Trata-se de uma realidade que não apenas reflete decisões individuais, mas escancara problemas estruturais de renda e acesso à educação financeira. Em maio de 2025, o levantamento apontou aumento de 6,28% no número de inadimplentes em relação ao mesmo período do ano anterior. Cada consumidor negativado devia, em média, R$ 4.743,23 na soma de todos os débitos em atraso. E o perfil mais comum de inadimplente é de 30 a 39 anos, ou seja, adultos em plena fase produtiva.
De acordo com o economista Pedro Henrique Nascimento, a alta taxa de juros, somada à inflação persistente e ao crescimento descontrolado das plataformas de apostas online, tem aprofundado o desequilíbrio financeiro. Esse cenário gera impactos em cadeia. Em um país como o Brasil, onde o consumo das famílias representa cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB), a inadimplência em massa desacelera a economia. A redução do consumo enfraquece o comércio, inibe investimentos, agrava o desemprego e restringe o desenvolvimento.
“Quando olhamos para as empresas, se também estiverem endividadas ou operando em um ambiente de consumo retraído, o ciclo de crescimento é travado”, pontua Nascimento. É nesse contexto que o cooperativismo de crédito se diferencia. Ao operar com base em princípios humanos e solidários, as cooperativas constroem relações duradouras com seus cooperados e oferecem soluções que vão além da lógica tradicional do sistema financeiro.

Além de analisar o risco, a cooperativa ouve, entende e personaliza o atendimento e a oferta de soluções financeiras. É o caso da COCRED e seus mais de 80 mil cooperados. Desde sua fundação, a COCRED entende que promover saúde financeira é parte essencial de sua missão. Não à toa, o propósito da cooperativa é conectar pessoas para promover justiça financeira e prosperidade.
E essa postura se revela, de forma concreta, em histórias como a de Letícia Biagi Gasparini Sisdelli, empresária do setor de eventos em Viradouro (SP). Durante a pandemia de Covid-19, Letícia viu seu negócio parar completamente. Com eventos cancelados e contratos suspensos, em função das medidas de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus, sua fonte de renda desapareceu.
A empresária buscou crédito emergencial em bancos comerciais, mas encontrou as portas fechadas. “Ninguém queria oferecer crédito. Por se tratar de uma empresa do ramo de festas, era muito arriscado emprestar para a gente. Eles não confiavam no retorno”, relembra. Letícia já era cooperada da COCRED desde 2019 e decidiu procurar a cooperativa. Encontrou, além da liberação de recursos via Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), confiança e orientação.
“O grande diferencial da COCRED foi considerar a nossa família, a nossa honestidade. Coisa que nenhum banco quis saber. Dentro de um conjunto de fatores, não fechamos as portas por conta dessa parceria com a COCRED”.
Hoje, o buffet de Letícia realiza até 20 festas por mês, com mais de 650 convidados por evento. Ela não tem dúvidas de que essa retomada só foi possível graças à parceria com a cooperativa. “Não é que tenha sido importante. Ela foi essencial”, afirma.

É preciso educar
Exemplos como o de Letícia comprovam que a inadimplência pode ser evitada quando há crédito orientado, acompanhamento próximo e educação financeira. E é justamente nesse ponto que a COCRED tem ampliado seus esforços. Em 2021, a cooperativa lançou o Conta com a COCRED Jovem, projeto que nasceu a partir de uma pesquisa realizada em Sertãozinho (SP), sede da cooperativa.
O resultado demonstrou que os jovens da região não tinham acesso a conteúdo de educação financeira. A resposta para o problema foi a criação de um curso gratuito, com aulas práticas, voltado a pequenos empreendedores e jovens em início de vida profissional.
Um dos participantes foi o microempreendedor Igor Ciriaco, que começou a vender brownies com a noiva para pagar o casamento e acabou transformando a renda extra em seu principal negócio. “Estava carente de estudar. Não sabia muito sobre a área e acabava pesquisando tudo na internet, mas muitas coisas eu não entendia. O curso foi o pontapé inicial, porque foi simples e prático”.
Igor participou da terceira edição, teve o seu desempenho reconhecido e foi premiado com um notebook. “Na época que atuávamos só no delivery, eu usava para controlar o gestor de pedidos, então me ajudou muito.” O curso foi apenas o começo. Em 2023, Igor deu mais um passo importante: realizou o sonho de abrir uma loja física com o apoio da cooperativa. “Conversei com o gerente, expliquei que a gente queria muito abrir a loja e a COCRED me ajudou demais. A liberação do crédito foi essencial para realizar o nosso sonho”.

Hoje, o empreendimento segue crescendo. Igor afirma que tudo começou com o conhecimento adquirido no curso e o apoio contínuo da cooperativa. Para Adalberto José Igual Junior, gerente executivo de Marketing e Inteligência de Mercado da COCRED, investir em educação financeira é formar cidadãos conscientes e independentes. “Quando a pessoa entende o fluxo de entrada e saída do próprio dinheiro, ela ganha autonomia. Deixa de viver sob pressão e passa a tomar decisões com mais clareza. E isso não transforma apenas uma vida, mas toda a comunidade”, afirma.
O gerente executivo também reforça que os investimentos da cooperativa em educação não param de crescer. “O interesse pela comunidade é um dos princípios do cooperativismo e é muito valorizado pela COCRED. Estamos sempre buscando novas formas de colocar esse compromisso em prática, seja por meio de cursos, palestras e eventos gratuitos ou da presença ativa em feiras e ações sociais. Queremos, de fato, cooperar com a propagação da educação financeira”, diz.
A atuação da COCRED está em total sintonia também com o quinto princípio do cooperativismo: educação, formação e informação. As cooperativas são orientadas a formar seus cooperados para que atuem com consciência e protagonismo. Em um país onde 45% das pessoas entre 18 e 24 anos não fazem o controle das finanças, segundo a CNDL, essa missão se torna ainda mais urgente. O cooperativismo precisa ser visto como uma estratégia central para a construção de um futuro mais sólido e financeiramente saudável.
Diante de um cenário nacional em que o endividamento desafia o presente e ameaça o futuro, o cooperativismo de crédito prova que é possível fazer diferente, abrindo portas e criando caminhos para uma transformação positiva da sociedade.

Índice de Saúde Financeira
Com a inadimplência desafiando o planejamento das famílias e evidenciando a importância da educação financeira, o Sicoob lançou uma funcionalidade inédita no seu aplicativo: o Índice de Saúde Financeira. Trata-se de uma análise clara e objetiva sobre a situação financeira do cooperado, permitindo que cada pessoa compreenda seu nível de equilíbrio financeiro, identifique pontos de atenção e tenha acesso a conteúdos que ajudam na tomada de decisões mais conscientes.
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O recurso é simples, intuitivo e está disponível para todos os usuários do aplicativo. Funcionando como um guia para quem busca construir uma relação mais saudável com o dinheiro, o índice é um passo fundamental para evitar o endividamento e garantir mais tranquilidade financeira.
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