Entenda as diferenças entre cooperativas de crédito e bancos

Entenda as diferenças entre cooperativas de crédito e bancos

As diferenças entre cooperativas de crédito e bancos são bastante consideráveis. Por mais que seja possível acessar praticamente a mesma gama de serviços, os modelos de negócios são totalmente diferentes. A escolha certa entre um ou outro na hora de contrair crédito é fundamental, pois pode impactar diretamente a saúde do negócio.

As vantagens do cooperativismo de crédito são o tema da nova campanha institucional da Cocred, que começou a ser veiculada neste dia 5 de maio. Para falar sobre diferenciais como taxas mais justas em relação aos bancos, participação nas decisões da cooperativa e na distribuição de resultados – as chamadas Sobras -, além de contato direto com os gerentes, a Cocred traz de volta um casal bem-humorado que fez sucesso em campanhas anteriores, conforme poderá ser visto mais adiante.

Neste guia completo, vamos tirar todas as suas dúvidas sobre o tema. A ideia é explicar os detalhes do funcionamento das cooperativas de crédito e dos bancos, apontando as particularidades de cada opção. Boa leitura!

O que são cooperativas financeiras?

As cooperativas financeiras ou de crédito surgiram com a finalidade de ser um meio mais barato para que pessoas e empresas tenham acesso a crédito e outros serviços financeiros. Esse é um modelo de negócio que não visa ao lucro, mas à colaboração mútua entre seus associados.

Para que as cooperativas continuem crescendo, parte dos recursos oriundos das operações, as chamadas Sobras, é reinvestida nelas mesmas. Dessa forma, é possível ampliar o horizonte de atuação, com mais conhecimento e experiência de mercado. Na prática, quando uma pessoa se associa, ela não só se torna cliente, mas também se transforma em dona do negócio.

Em outras palavras, quando for necessário tomar decisões sobre os rumos da cooperativa de crédito, cada associado tem o poder de voto. Outro ponto importante a ser destacado é que toda cooperativa de crédito precisa atuar segundo as regras do Banco Central.

Dito isso, uma das principais normativas que regulam o cooperativismo de crédito no Brasil é a Lei 5764/71. Ela determina a política nacional de cooperativismo, sendo que, em seu primeiro artigo, define que essa política consiste em uma atividade decorrente das iniciativas do sistema cooperativo, advindas do setor privado ou público, isoladas ou coordenadas entre si, desde que reconhecido o seu interesse público.

Para quem deseja acessar os serviços de uma cooperativa de crédito, é preciso investir um valor que fica rendendo em conta capital. Este costuma ser bastante módico, sendo devolvido à pessoa, acrescido de rendimentos, caso ela opte por se desligar futuramente da cooperativa.

O que são bancos?

Os bancos comerciais são instituições financeiras muito mais antigas que as cooperativas de crédito. Em civilizações remotas, era recorrente a prática de emprestar e tomar empréstimos, sendo os juros o lucro desse tipo de operação.

Foram as grandes navegações que impulsionaram a atividade bancária, principalmente na Europa. Um problema importante que os bancos resolviam em seus primórdios era a dificuldade das pessoas em carregar ouro. Foi nesse contexto que surgiram as cédulas de papel, funcionando como comprovação de que certo montante havia sido depositado em um banco.

No início, o dinheiro em circulação na economia era lastreado em ouro. Hoje, no entanto, por causa do mecanismo da reserva fracionária, são os governos que regulam essa emissão monetária, geralmente por meio do Banco Central.

Basicamente, a reserva fracionária consiste em “criar” um dinheiro sem nenhum lastro, considerando que os correntistas nunca vão sacar as suas reservas ao mesmo tempo. Se o banco possui determinado valor em seu cofre e alguém dá entrada em um pedido de empréstimo com montante superior, não será negado.

Tal mecanismo possibilitou uma enorme lucratividade aos banqueiros. No entanto, já houve casos de corrida aos bancos ao longo da história, tirando muito da credibilidade dos banqueiros. Com o passar do tempo, a reserva fracionária passou a ser adotada legalmente, mas com um limite, buscando evitar problemas como a inflação descontrolada dos preços.

Em outras palavras, quanto mais dinheiro é emitido na forma de empréstimos, sem que a produtividade da economia real cresça no mesmo ritmo, mais os preços tendem a subir. Hoje, a prática de os bancos darem certificados em papel aos seus clientes deixou de ser comum.

Tudo acontece com a adição eletrônica de dinheiro nas contas das pessoas, sendo pedido, em alguns casos, alguma garantia de que o empréstimo será pago. Dessa forma, se o cliente usa um carro ou imóvel como garantia, por exemplo, os juros da operação são menores.

No Brasil, antigamente, os bancos emitiam grandes quantias na economia, culminando na hiperinflação que acometeu a população antes do Plano Real de 1994. Para colocar um freio nisso, o Banco Central passou a atuar como um regulador de todos os bancos do país, usando taxas de juros mais elevadas para evitar essa multiplicação desenfreada de dinheiro sem nenhum lastro.

Portanto, cabe ao Banco Central preservar o poder de compra da moeda e regular todo o sistema financeiro do país, inclusive as cooperativas de crédito. Na prática, o Banco Central tem poder de autorizar e fiscalizar as instituições financeiras, criando regras para a entrada de novos agentes no mercado.

Quais são as diferenças entre cooperativas de crédito e bancos?

Entendido o que são cooperativas de crédito e bancos, vamos agora nos ater às diferenças entre ambos. Para iniciar, é preciso dizer que os clientes dos bancos não possuem poder de voto, tampouco são sócios da instituição. A única forma de se tornarem donos é comprar ações na Bolsa de Valores. Na prática, quando você solicita empréstimo, precisa pagar juros, que podem ser altos ou baixos. De toda forma, essa será a lucratividade dos bancos na operação, sendo que os clientes estarão sujeitos a multas e restrições em caso de inadimplência.

Se um empreendedor, por exemplo, passa por dificuldades em seu negócio, isso não vai eximi-lo de acertar as contas com o banco. Por mais que existam renegociações, muitas vezes o banco acaba sendo mais beneficiado, visto que a inadimplência dos clientes pode trazer mais dinheiro para ele.

Com as cooperativas de crédito, isso não acontece. Para começar, o cooperado também é dono do negócio, com direito ao voto e a uma parte dos lucros das operações. No entanto, vale frisar que parte desses lucros da cooperativa também deve ser reinvestida nela mesma para garantir o seu crescimento.

Mais capilaridade

Outra diferença fundamental entre as cooperativas de crédito e os bancos é que o primeiro modelo tem mais capilaridade que o segundo. Isso significa que a cooperativa atinge regiões remotas e pobres do Brasil, permitindo que mais pessoas tenham acesso a serviços financeiros, como empréstimos e cartões de crédito.

Os bancos, por sua vez, tendem a se concentrar em grandes cidades e áreas metropolitanas. Dito isso, as cooperativas de crédito proporcionam muito mais inclusão financeira que os bancos e ajudam comunidades locais a se desenvolver, com mais dinheiro circulando na economia.

Taxas menores e mais justas

Falando agora sobre taxas de juros, as que são praticadas pelas cooperativas de crédito tendem a ser mais justas. Isso é uma consequência imediata do fato de serem organizações que não visam ao lucro, já que buscam beneficiar todos os seus associados. Na economia, os juros bancários são baseados na taxa Selic. Isso corresponde apenas a um referencial, sendo que os percentuais praticados pelas instituições bancárias, geralmente, são maiores.

Em um financiamento empresarial, por exemplo, os bancos não querem ter prejuízo. Por isso, optam por cobrar juros elevados ou pedir garantias aos empreendedores. Obviamente, pessoas que possuem empreendimentos informais ou são MEIs não têm como saber, com precisão, como estará a saúde do negócio dentro de meses ou anos.

Nas cooperativas, as taxas mais baixas também são um incentivo para os associados permanecerem nas instituições. Não se trata, portanto, de um desejo de lucro rápido e imediato, sendo uma iniciativa de médio e longo prazos. Geralmente, um banco faz uma análise minuciosa antes de liberar crédito. Já as cooperativas são menos burocráticas nesse sentido, sendo uma opção bem mais acessível.

Quais são as vantagens das cooperativas de crédito?

Toda cooperativa segue princípios essenciais para o modelo de negócio ser benéfico aos seus associados. Dito isso, acompanhe os próximos tópicos para conferir as principais vantagens de aderir a uma cooperativa de crédito!

Tarifas mais acessíveis

Em uma cooperativa de crédito, não somente os juros são menores. Nesse modelo, as mesmas tarifas presentes nos bancos são mais baratas ou sequer existem. Entre elas, podemos citar:

  • Tarifa de serviço, que existe em bancos tradicionais, sendo uma cobrança mensal;
  • transferências;
  • emissão de talões, entre outras.

Participação nos resultados

Sempre que as cooperativas de crédito obtêm Sobras, elas são divididas proporcionalmente entre os associados, proporcionalmente à movimentação de cada um, ou seja, quem utiliza mais produtos e serviços tem a possibilidade de receber mais. Um fator relevante que possibilita isso é a estrutura mais enxuta que a dos bancos. Além disso, em alguns casos, a isenção tributária aumenta a chance de as Sobras serem maiores. Se a cooperativa atua em cidades do interior, por exemplo, é possível que a estrutura seja menos robusta, com poucos móveis, equipamentos e funcionários.

Direito ao voto

Nas cooperativas de crédito, os associados podem assumir cargos de relevância nos conselhos de administração e fiscal. Tudo dependerá do empenho, comprometimento e busca por seguir os princípios que norteiam as sociedades cooperativas.

Nas assembleias, todos os membros têm direito a voto para escolher os representantes que julgarem melhores para o futuro dos negócios. Portanto, as cooperativas de crédito funcionam com gestão democrática.

Atendimento personalizado ao cooperado

Os bancos tentam, mas é difícil proporcionar um atendimento personalizado e humanizado, até pelo volume de clientes. Já em cooperativas de crédito, o tratamento envolve mais proximidade, companheirismo e humanização. Na prática, as cooperativas de crédito buscam entender as reais necessidades do associado.

Em geral, os bancos e outros negócios tradicionais ainda direcionam bastante foco para si, sem uma análise mais aprofundada de como melhorar a experiência dos seus clientes e, portanto, sem entender suas reais necessidades financeiras.

Desenvolvimento econômico

Em geral, os empreendedores que obtêm crédito a juros baixos ampliam seus negócios e contratam mais pessoas. Logo, essa política de acessibilidade das cooperativas também é um motor na geração de emprego, renda e aumento da qualidade de vida da população local.

Em um banco, uma das únicas possibilidades para conseguir juros baixos é dar um bem como garantia. Nesse caso, se o empreendedor deixar de pagar as parcelas emprestadas, ele perderá o bem para o banco, uma situação nada agradável.

Pequenos negócios têm muita dificuldade em obter crédito junto às instituições financeiras tradicionais. Mesmo que o projeto cresça em escala e permita o pagamento dos juros, muitas vezes os bancos impõem taxas altas, que podem sufocar o empreendimento em curto, médio e longo prazos.

Com as cooperativas de crédito, o pequeno empreendedor tem mais flexibilidade. O único cuidado que ele precisa ter é com relação a fazer empréstimos com muita recorrência e sem necessidade. Tudo depende de sua organização e planejamento, pois, do contrário, mesmo obtendo crédito junto às cooperativas, ele corre o risco de não arcar com o compromisso lá na frente.

Na prática, o empreendedor deve saber com clareza onde vai aplicar o dinheiro que foi emprestado.

Inclusão financeira

Querendo ou não, a inclusão financeira gera impactos em várias outras áreas. Como falamos, a cooperativa de crédito tem uma capilaridade maior que os bancos, impactando muitas pessoas excluídas do sistema bancário. Algumas pessoas se tornaram empreendedoras durante a pandemia da Covid-19. No entanto, a dificuldade de inclusão financeira via crédito impediu esses negócios de se desenvolverem mais.

Muitas vezes, elas recorrem à ajuda de familiares para manter o negócio funcionando. Um cenário que pode mudar com as cooperativas financeiras. Quanto mais pessoas incluídas no cenário de crédito, mais dinheiro gira nas economias locais e regionais e, com isso, são gerados mais empregos e oportunidades de renda.

Retorno socioeconômico à comunidade local

Esse é justamente um dos princípios das sociedades cooperativas: o bem-estar das comunidades locais. Muitas pessoas precisam de emprego e recursos, tanto nos grandes centros quanto no interior do país. Nesse sentido, as cooperativas de crédito funcionam como uma forma de oferecer trabalho e oportunidade a esses indivíduos.

Segundo a Organização Internacional de Cooperativas de Indústria e Serviços, aproximadamente 50 milhões de brasileiros dependem, direta ou indiretamente, das cooperativas como fonte de renda. Lembrando que, no país, elas são de 7 tipos: crédito, agropecuário, consumo, infraestrutura, produção de bens e serviços, saúde e transporte.

Vamos a outro dado que mostra o quanto as cooperativas de crédito ajudam comunidades locais. Segundo um levantamento do Banco Central, em 2021, 2.427 municípios do Brasil não tinham nenhuma agência bancária. Em muitos municípios, as únicas instituições financeiras disponíveis são cooperativas de crédito.

Em relatório técnico, a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apresentou a seguinte constatação: em municípios que contam com cooperativas de crédito, as vagas de emprego formal nas cooperativas representam, em média, 6,2% da população apta ao trabalho.

Outro dado da FIPE é que, a cada mil habitantes de municípios com cooperativas de crédito, há um aumento de dois estabelecimentos comerciais. Isso significa mais negócios sendo abertos, promovendo maiores e melhores oportunidades aos indivíduos daquela localidade. Além disso, é um dinheiro que circula com frequência no município e ajuda a melhorar o padrão de vida dos habitantes.

Ainda citando o relatório técnico da FIPE, existe um aumento de, pelo menos, 1% no salário médio mensal das pessoas que trabalham em municípios com cooperativas de crédito. Esse dado foi obtido na comparação com o salário daquelas que atuam em lugares sem nenhuma cooperativa de crédito.

A consequência do dado anterior é uma elevação do PIB local. Nesse sentido, o aumento implica em uma média de 5,6% a mais na renda per capita da população. Em valores, corresponde a R$ 1081,00 a mais no bolso das pessoas desses municípios.

A FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração) da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, também fez um estudo focado nos impactos sociais do cooperativismo. A média de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em municípios sem cooperativa foi de 0,66. Em lugares com alguma cooperativa, o índice subiu para 0,70. A determinação do IDH considera três aspectos: saúde, renda e educação.

Nova campanha

Alguns dos diferenciais do cooperativismo de crédito e do jeito de atuar da Cocred são destaques no vídeo da nova campanha institucional da cooperativa. O personagem Mário Jorge e a esposa, que participaram de campanhas anteriores, durante a Copa do Mundo de 2022 e no início de 2023, voltam para discutir os benefícios que só encontram na nossa instituição. Eles já haviam falado sobre vantagens de ter uma conta na Cocred durante a Copa do Mundo de 2022 e, também, no início de 2023, época em que incentivamos a busca por crédito mais acessível para quitar os compromissos de início de ano.  

A seguir, você confere o vídeo da campanha:

Como vimos ao longo deste guia, é bastante considerável a diferença entre cooperativas de créditos e bancos. O segundo tipo de instituição, na maioria das vezes, impõe burocracias e taxas que dificultam a vida dos pequenos empreendedores – que precisam, entre outras coisas, comprar equipamentos e investir no crescimento do negócio. Por outro lado, a cooperativa está mais próxima das necessidades das pessoas e empresas, e têm, por princípio, auxiliar o desenvolvimento das comunidades.

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