O mês de julho se inicia em meio a um contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, que têm impactado as perspectivas econômicas em todo o mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta uma possível retração nos investimentos estrangeiros globais, movimento do qual o Brasil também sente os efeitos, ainda que siga na liderança entre os destinos de capital na América Latina.
No cenário interno, os principais indicadores apontam para estabilidade econômica, enquanto o agronegócio mantém boas projeções, apesar dos desafios climáticos em algumas regiões produtoras. Esses são alguns dos destaques do que esperar nos próximos dias. A seguir, confira as principais perspectivas para julho.
Economia mundial
Uma revisão recente do Banco Mundial sobre o panorama econômico de 2025 reduziu as perspectivas de crescimento para 70% dos países. A ONU compreende que as tensões comerciais, incertezas políticas e outras turbulências foram as responsáveis pelo declive das expectativas. Esses fatores deverão colocar o crescimento global no ritmo mais lento já registrado desde 2008. Apesar disso, não há grandes riscos de retração econômica.
Para julho, o Relatório Mundial de Investimentos 2025 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) indica desaceleração de fluxos de capital produtivo. O levantamento atribui o enfraquecimento aos conflitos geopolíticos atuais (guerra na Ucrânia e confronto armado entre Israel e Irã).
Nesse cenário, investimentos de muitas economias em setores importantes, como infraestrutura, energia, tecnologia e indústria, serão impactados. Um reflexo disso é a queda mundial de, em média, 11% do Investimento Estrangeiro Direto (IED). A UNCTAD revelou que, na América do Sul, as aplicações externas diminuíram 12%, enquanto no Brasil a redução foi de 8%. Apesar da redução, o país se mantém como o principal destino de aportes internacionais da América Latina.
Economia brasileira
O relatório de mercado do Banco Central, “Focus” – que acompanha semanalmente os índices econômicos – sugere uma atmosfera de ajuste para a economia em julho. Os dados apontam inflação em queda, leve valorização do real e elevação dos juros. As previsões desenham um quadro de cautela e estabilidade.
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – relevante indicador da inflação – caiu de 5,25% para 5,24%. Contudo, a taxa segue longe da meta que é de 3%. Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), a projeção mediana subiu de 2,20% para 2,21%. Mesmo com a desaceleração econômica, medidas governamentais, como a liberação do FGTS e a criação do “Crédito do Trabalhador”, sustentam o crescimento lento do PIB.
O recuo do dólar de R$ 5,77 para R$ 5,72 para o final deste ano deixa o câmbio mais favorável. A expectativa para julho é que a cotação do dólar fique em R$ 5,61 e que a valorização alivie o preço dos importados. Já a taxa Selic, ferramenta do BC para conter a inflação, deve se manter em 15% por um período prolongado.
Agronegócio no Brasil e no mundo
O PIB do agronegócio brasileiro, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cresceu 6,49% nos primeiros três meses. O avanço foi registrado em meio a adversidades, como as restrições às exportações de carne de frango em razão da preocupação com a gripe aviária e com a volatilidade dos preços dos commodities.
Segundo a CNA, durante esse período, o PIB no setor agrícola chegou a 5,59% e no pecuário, 8,50%. Todos os outros segmentos progrediram, alcançando percentuais consideráveis do produto interno: insumos, 4,45%; primário, 10%; agroindústria, 3,18% e agrosserviços, 6,27%. O aumento da produção de café, milho, soja e trigo, alavancou o setor primário agrícola. Já no segmento primário pecuário, a expansão se deve, em especial, à bovinocultura de corte e de leite, além de ovos e suinocultura.
O êxito nessas áreas, elevou as projeções para o mercado de defensivos e máquinas agrícolas e para a indústria de medicamentos para animais. Uma análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) sobre os dados compilados até março, sinaliza para o restante do ano, oscilação entre culturas, recordes em algumas produções e retrações em outras.
Para concluir, confira as considerações sobre as variações no volume, preço real e Valor Bruto da Produção (VBP) de algumas culturas de destaque em comparação com o mesmo período de 2024:
- Café: destaque positivo com projeção de alta de 141,41% no VBP estimulada pelo aumento nos preços (+135,08%) e na produção 2,69% maior. A valorização se deve aos baixos estoques mundiais e à percepção de que a próxima safra brasileira será menor.
- Cana-de-açúcar: registra um recuo de 9,53% no VBP – consequência da baixa na produção (-2%) e dos preços (-7,69%). A queda nos índices se relaciona às condições climáticas adversas, como as temporadas de estiagem e incêndios.
- Laranja: bom desempenho, com a subida de 27,08% no VBP por conta da alta nos preços e da produção 4,46% maior. Mas, a cultura corre o risco de desvalorização devido à redução da qualidade das safras em razão do calor intenso propício para greening, uma doença comum em plantações de cítricos.
Cooperação é o caminho
Diante de cenários desafiadores, o cooperativismo se fortalece como um porto seguro para produtores rurais, empreendedores e pessoas físicas. Enquanto bancos convencionais costumam recuar em tempos de instabilidade, a Cocred amplia sua presença, oferecendo suporte, crédito e orientação para que cada cooperado enfrente as dificuldades com mais segurança e autonomia.
Prova disso é que, mesmo diante de crises profundas como a provocada pela pandemia de 2020, o cooperativismo brasileiro cresceu. O número de cooperados saltou de 15,5 milhões para 17,2 milhões, de 2019 para 2020, registrando um aumento de 11%. Além disso, quase 28 mil novos profissionais passaram a integrar as cooperativas no país, evidenciando o papel do modelo na geração de trabalho e renda. Os dados são do Anuário do Cooperativismo Brasileiro.
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