Museu conta a história de práticas sustentáveis em fazenda

Museu conta a história de práticas sustentáveis em fazenda

A história da família Guidi se confunde com a da agricultura dos séculos XX e XXI. Os visitantes da Fazenda Vista Alegre, da Eva e da Maria Tereza Guidi, entre Sertãozinho e Barrinha-SP, podem conhecer desde os equipamentos que o pai delas, José, usava no cultivo de arroz, no final da década de 1940, até as atuais práticas sustentáveis no cultivo da cana-de-açúcar, na pecuária leiteira e nos projetos educativos desenvolvidos com estudantes, durante a semana, e com famílias, principalmente aos sábados e domingos.

É na fazenda que a Revista Cocred Mais estreia sua seção de ESG, uma sigla em inglês para Environmental, Social and Governance – o que é traduzido para o português como Meio Ambiente, Social e Governança. Usada desde 2004, a expressão surgiu no mercado financeiro para avaliar os impactos que ações de sustentabilidade promovidas pelas empresas traziam aos negócios delas.

Atualmente, o compromisso com práticas de ESG está alinhado aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 para incentivar, até 2030, a adoção de políticas públicas voltadas às demandas mundiais de cuidados com os recursos naturais e com o bem-estar das pessoas.

Em síntese, isso significa que, no caso das corporações, o sucesso já não se mede apenas por seus resultados financeiros, mas pela atuação, a partir desses três aspectos, para melhorar a vida das comunidades onde estão inseridas. O ambiental valoriza ações de conservação dos recursos naturais; o social foca nas relações com as pessoas e no desenvolvimento de iniciativas culturais, educativas, de assistência, entre outras; já a governança se volta para a gestão das organizações com transparência e abertura para a equidade e a diversidade.

Especialistas no assunto discutem que o grande desafio é que essas iniciativas caminhem não de forma isolada, mas integradas umas com as outras. A partir desta edição da Cocred Mais, você poderá conferir histórias de cooperados da Sicoob Cocred que mantêm algumas dessas medidas em suas propriedades rurais e empresas.

Na Vista Alegre, práticas de ESG estão presentes desde muito antes do surgimento da sigla. “O ESG é bastante novo e complexo. Vai exigir que muita coisa seja adaptada nas propriedades. No caso da Vista Alegre, sempre foi uma preocupação produzir com respeito à natureza”, afirma Eva.

A entrada no museu revela isso. Lá, o visitante pode entender como o aprimoramento das tecnologias no campo, aliado a preocupação com pessoas e com o meio ambiente, ajudou a tornar o Brasil uma potência agrícola e a desenvolver economicamente a região de Ribeirão Preto. “É possível conhecer toda a história da agricultura, desde quando se plantava com uma draga até os tratores computadorizados”.

Nas 12 salas do local, que foi inaugurado em 2009, estão expostas mais de 500 peças, todas ligadas à evolução da agropecuária e à trajetória da fazenda, que começou o avô de Eva, Ângelo.

Ele era negociante e teve 11 filhos. Cada um herdou uma propriedade. José ficou com a Vista Alegre. Além de Eva e Maria Tereza, que respondem, respectivamente, por projetos de turismo rural e pecuária leiteira, a fazenda é tocada por dois dos três filhos de Eva, que cuidam da produção de cana.

Eva (esquerda) e Maria Tereza com o pai delas, José, no museu da fazenda

Mata preservada

José, de 94 anos, é definido pelas filhas como um “apaixonado pela natureza”. Tanto que a fazenda, de 123 alqueires, tem cerca de 20% de área preservada. A mata foi averbada por ele muito antes do surgimento de leis que buscam garantir a conservação. Estratégia de governança. Até hoje, nenhuma mudança na propriedade é feita sem a opinião dele.

Essa influência do pai foi fundamental também para que a Vista Alegre diversificasse as atividades a partir do final dos anos 1990. Até lá, além do arroz, os Guidi já haviam produzido algodão, leite e cana – essa desde a década de 1970.

Pelas mãos de Maria Tereza, formada em Zootecnia, o leite voltaria em 1989, com o gado jersey, mas a principal sustentação financeira era a cana. Acontece que, oito anos mais tarde, uma grave crise afetou o setor sucroenergético, o que obrigou a família a agregar novos segmentos.

Professora, formada em Educação Física, Eva percebeu que poderia levar propostas educativas à rotina do campo. Passou a receber grupos escolares e a mostrar às crianças como fazer de horta orgânica a queijos frescos, além de falar sobre tipos de solo e importância da água e da rede de esgoto, apresentar brincadeiras com argila e levá-las para comer fruta direto do pé.

“Resgato brincadeiras que praticamente se perderam, com as quais as crianças já não têm tanto contato. Tem crianças lá de nove, dez anos, que nunca subiram em árvore. Às vezes, estamos na época de jabuticaba, pitanga, amora ou de qualquer outra fruta, e as crianças são convidadas a experimentar”.

Toda semana, tem visita escolar praticamente de segunda a sexta-feira. Eva reservou três alqueires da propriedade para os projetos com estudantes e, também, para receber famílias aos finais de semana, que vão em busca de descanso e lazer. Os serviços foram ampliados aos poucos. Quando ela percebeu aumento da demanda, começou a oferecer hospedagem e refeições.

“Você percebe que, no início, era apenas o turismo pedagógico. Hoje, 25 anos depois, a gente hospeda, tem o restaurante e conta, também, com dia de campo, em que famílias e grupos podem passear e conhecer a propriedade”, explica Eva.

Sustentabilidade

Nesses passeios, os visitantes recebem informações sobre a captação de dejetos, que é feita por meio de fossas sépticas. Eles são processados e abastecem um tanque de chorume, que, por sua vez, é aproveitado como adubo nas lavouras de cana. “A gente tem também a compostagem, que é mostrada às crianças durante as visitas”, explica Eva.

Na pecuária, o aproveitamento consciente da água permite irrigar o pasto e, com isso, a produção melhorou. Maria Tereza explica que também é adotado um sistema para impedir a degradação da pastagem. Geralmente, no mês de abril, ela semeia aveia junto com o capim, já que, nessa época, as gramíneas tropicais começam a “hibernar” por causa das condições climáticas.

Com isso, consegue uma média de 1 mil litros por dia, vendidos integralmente à indústria de laticínios Piracanjuba. São 60 vacas em lactação. Para manter a sanidade e o bem-estar delas, Maria Tereza trata o rebanho com probióticos, para evitar problemas como diarreias.

A criação teve início por meio de um amigo de Maria Tereza. Em 1989, ela começou a visitar algumas propriedades rurais da região em busca de referências. Chegou a um Luiz Augusto Junqueira do Val, que era dono da Fazenda Primavera, em Ribeirão Preto. Ele tinha um plantel de gado jersey e divulgava características que enxergava como vantagens da raça: resistência a temperaturas mais altas, típicas da região, e a possibilidade de ter um maior número de cabeças por área.

“Sempre que ele tinha animais para vender, ligava pra mim. Queria que eu continuasse o negócio”. E Maria Tereza aceitou o desafio. O primeiro rebanho dela foi todo montado com animais de Luiz.

São lembranças que ajudam a compor a história da fazenda e têm um lugar garantido no museu. Mas, para além disso, elas ajudaram a escrever um capítulo sobre produção consciente e equilibrada que encanta quem conhece a Vista Alegre.

Maria Tereza: preocupação com a sanidade do rebanho

ESG nas cooperativas de crédito

As práticas de ESG têm sido cada vez mais valorizadas pelas cooperativas de crédito brasileiras, como a Sicoob Cocred. O Panorama do ESG nas Cooperativas de Crédito, pesquisa realizada pela PwC Brasil em 165 cooperativas financeiras e divulgada no segundo semestre de 2022, trouxe um panorama desse cenário.

Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados, todos representantes de cooperativas, acreditavam que a incorporação de estratégias ambientais, sociais e de governança em suas instituições ajudava a atrair e reter associados. Três em cada quatro deles disseram reconhecer compromissos públicos com ESG em suas cooperativas, e 48% identificavam que elas trabalhavam com metas específicas.

“A recomendação que fazemos é que as cooperativas incorporem os aspectos ESG, usando dados para ampliar a transparência e melhorar a prestação de contas, além de elaborar planos vinculados a metas”, explicou Elisa Simão – sócia da PwC Brasil e responsável pela pesquisa – na época da divulgação dos resultados.

Outro dado apurado é que 85% das cooperativas de crédito mantinham ações sociais de educação financeira, 61% tinham iniciativas direcionadas aos pequenos negócios e 26% ofereciam algum programa de inclusão digital.

“Há oportunidades significativas para incorporar a pauta ESG nas cooperativas de crédito atuantes no mercado brasileiro. Isso pressupõe estabelecer compromissos claros, implementar procedimentos específicos, traçar metas, medir resultados com transparência e comunicá-los”, afirmou Elisa.

Confira outras reportagens

Esta reportagem está na edição 42 da Revista Cocred Mais, que traz diversas reportagens sobre cooperativismo e, também, sobre mercado financeiro. Para ver a edição completa, clique aqui.

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