Olhos para a Ásia: Brasil enxerga possibilidades de abrir mercados

Olhos para a Ásia: Brasil enxerga possibilidades de abrir mercados

Um olhar atento às possibilidades de estreitar relações comerciais com países da Ásia. Essa é uma das propostas do coordenador-geral do Cooperativismo e Agregação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Nelson de Andrade Júnior, enquanto ocupar a cadeira de coordenador da Reunião Especializada de Cooperativas do Mercosul (RECM) – órgão com representação governamental do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai e que atua conjunto com entidades cooperativas de cada um deles.

Nelson assumiu a RECM no início de julho e segue no posto até o final de dezembro, mesmo período em que o governo brasileiro comanda a Presidência Pro Tempore do Mercosul. Segundo ele, que tem formação em Gestão de Marketing, é uma grande oportunidade para que nosso país ajude a disseminar políticas de agregação de valor e sustentabilidade para impulsionar o cooperativismo, em especial no segmento do agronegócio, onde se concentram as maiores cooperativas exportadoras de insumos e alimentos.

“O Ministério da Agricultura e Pecuária, sendo o órgão representante da RECM durante o período da Presidência Pro Tempore, buscará fortalecer o cooperativismo junto aos Estados partes, tratando de temas transversais, como valorização da produção, intercooperação e equidade de gênero, por meio do resgate junto ao Observatório de Mulheres Rurais Brasileiras, por exemplo”, explica Nelson.

Outra questão a ser trabalhada e apresentada ao mercado internacional será o alto nível de inovação da nossa agropecuária, aproveitando o fato de que a função de Nelson no MAPA está ligada à Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo, órgão responsável pela formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural por meio de práticas inovadoras e sustentáveis, e pela integração com outras secretarias e políticas.

Missão

Umas das expectativas é que a RECM trate da missão internacional que está sendo organizada pelo Ministério, em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), para ampliar o acesso à Ásia, continente que já é o nosso principal mercado consumidor de produtos alimentícios, mas que oferece uma infinidade de possibilidades ainda não exploradas.

Nelson afirma que a missão é uma estratégia para fortalecer a atuação externa brasileira e, ao mesmo tempo, oportunizar conhecimentos referentes às tendências mundiais para as cooperativas. “Para isso, contaremos com o apoio de nossos postos diplomáticos por meio de adidos agrícolas, com levantamento de produtos que possuem potencial para inserção no Sudeste Asiático. Durante a missão em todos os países, o roteiro será composto por reuniões com compradores e órgãos governamentais”.

O coordenador da RECM destaca, entre outras, as potencialidades da Índia, das Filipinas e de Singapura, relevantes para o intercâmbio envolvendo, principalmente, as cadeias produtivas de leite e de fertilizantes. Além de abordar a qualidade dos produtos oriundos de cooperativas brasileiras e do Mercosul, a viagem vai possibilitar a troca de experiências com cooperativas desses três países.

Nelson de Andrade Júnior (Divulgação/MAPA)

Singapura, por exemplo, além de um centro de distribuição para toda a Ásia, tem um movimento cooperativista considerado bastante rico, que está presente em todos os ramos econômicos e realiza diversas feiras de negócios, inclusive em parceria com o governo brasileiro. Cerca de 1,6 milhão de pessoas, que respondem por metade da população de lá, estão associadas a alguma cooperativa.

Já a Índia possui 98% do seu território rural coberto por cooperativas, que somam mais de 850 mil, com um total de 290 milhões de associados. Uma delas é a IFFCO, de fertilizantes e grãos, considerada a maior do mundo pelo Monitor Global de Cooperativas, entidade que avalia o impacto da atuação do cooperativismo em cenário global e em contextos nacionais e regionais.

No roteiro da missão, foi incluída a Conferência da ACI-Ásia Pacífico, marcada para acontecer entre os dias 6 e 8 de novembro em Manila, capital das Filipinas, país que tem mais de 9.400 cooperativas, com 7,6 milhões de associados e nas quais estão empregadas 226,4 mil pessoas, segundo o MAPA.

“Ao final, esperamos que os dirigentes tenham desenvolvido novas pontes de contato, que possibilitem o incremento dos negócios das cooperativas do Mercosul, levando desenvolvimento e bem-estar social aos cooperados, famílias e comunidades”, declara Nelson. Ele aposta que o Brasil pode ampliar o comércio de produtos com valor agregado diferenciado, dado o aumento populacional da Ásia e a carência da região em áreas e recursos hídricos para a produção de alimentos.

“O Brasil tem, como imagem, ser um dos mais importantes produtores de alimentos seguros e saudáveis, capaz de ajudar na garantia da segurança alimentar do continente, em especial no Sudeste Asiático, que se tornou uma das regiões comerciais mais dinâmicas do mundo, com alto nível de integração nas cadeias globais e demanda crescente por produtos agrícolas, por conta da urbanização e do rápido crescimento da renda da população”, afirma o coordenador da RECM.

Valor agregado

A agenda da RECM se conecta ao trabalho que é feito pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), maior representante dos produtores rurais brasileiros, para promoção do agronegócio nacional no continente asiático. Segundo Felipe Spaniol, coordenador de Inteligência Comercial e Defesa de Interesses da CNA, o Sudeste Asiático foi, nos últimos 20 anos, o mercado para as exportações da agropecuária brasileira que mais cresceu: 496%. Em seguida, vem o Oriente Médio, com 430%. A China é o nosso principal comprador, respondendo por mais de 30% das vendas do nosso agronegócio.

Apesar disso, há, segundo ele, uma “zona cinzenta”, representada por dificuldades que precisam ser transpostas para aprimorar nossos acordos comerciais, ainda bastante concentrados nas Américas – levantamento do MAPA aponta que, de 2019 a 2022, o Brasil abriu 102 novos mercados no continente americano, tendo a Ásia na sequência, com 88. Um desses desafios são barreiras logísticas para fazer nossas exportações chegarem aos asiáticos. Outro são questões tarifárias, pelo fato não haver ainda abertura com alguns países. E o terceiro são as significativas diferenças culturais para os povos ocidentais.

Além de Índia, Filipinas e Singapura, Felipe visualiza boas possibilidades de negócios na Tailândia, na Indonésia, na Malásia, em Bangladesh, no Japão, na Coreia do Sul e até mesmo na China, que restringiu seu comércio internacional nos picos da pandemia de Covid-19. Para isso, é fundamental, na avaliação dele, que o Brasil se faça presente nesses lugares, buscando maior inserção dos nossos produtos.

“Existe uma grande aceitação das commodities tradicionais, como o complexo soja, milho, proteína animal, açúcar, mas também um potencial para exportação de produtos com valor agregado. Esse é um trabalho importante, independentemente de ser feito por ações diretamente do setor privado, por programas que nós temos, por exemplo o Agro.BR, para ajudar o produtor rural a acessar mercados internacionais, mas também de entidades como a OCB, promovendo produtos de empresas cooperadas”, diz Felipe.

Como exemplos de produtos com valor agregado que podem encontrar espaço na Ásia, o coordenador cita a fruticultura e seus derivados, como geleias, doces e preparados para sucos, além de mel e cafés especiais – um setor em franca expansão. “Encher as prateleiras do mundo com aquilo que a gente tem de melhor”, destaca.

Ainda para Felipe, o continente asiático se apresenta, inclusive, como alternativa à política de endurecimento de medidas ambientais que vem sendo adotada pela União Europeia. “A CNA participa de um programa chamado Panagro, de imagem do agro brasileiro no mundo, que é muito voltado hoje a trabalhar na Europa, onde a gente tem uma imagem negativa, que precisa ser combatida, enquanto, em outros mercados, como é o caso da Ásia, a gente tem uma imagem positiva e que precisa ser mais bem explorada”.

As perspectivas, como se percebe, são otimistas. Elas demonstram que, quando os olhos tupiniquins miram o horizonte, os limites não estão onde a vista alcança. Identificar oportunidades é uma tarefa para além de qualquer fronteira.

Revista Cocred Mais

As possibilidades de abertura de mercados na Ásia são um dos assuntos da edição 43 da Revista Cocred Mais. Para conferir essa e outras reportagens, clique aqui.

Felipe Spaniol (Divulgação/CNA)

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