Ribeirão Preto: tradição, negócios e um brinde ao desenvolvimento no interior paulista

Ribeirão Preto: tradição, negócios e um brinde ao desenvolvimento no interior paulista

Ribeirão Preto, terra do café. Orgulho de São Paulo e do Brasil”. O verso do poema de Saulo Ramos, musicado por Diva Tarlá e eternizado no hino de Ribeirão Preto (SP), resume bem os 170 anos de história do município, celebrados em 2026. Isso porque a cidade que hoje abriga mais de 730 mil habitantes, consolidada como um dos principais polos econômicos e estratégicos do interior paulista, tem suas raízes profundamente ligadas às lavouras de café e um desenvolvimento exponencial digno de orgulho para o estado e para o país.

Quem nasce em Ribeirão Preto aprende desde cedo que o café é parte estruturante da cidade. Quem visita, não encontra dificuldades em identificar a herança deixada pelo cultivo do grão. Ela está presente na arquitetura dos casarões da região central, nos nomes de importantes vias, como a tradicional Avenida do Café, na zona Oeste, e em pontos turísticos como o Museu do Café. Esses são alguns dos legados mais visíveis da cultura cafeeira, mas seus impactos mais profundos, econômicos, sociais e culturais, vão além do que os olhos alcançam.

Ribeirão Preto teve no café sua primeira atividade agrícola intensiva, responsável por atrair imigrantes europeus para a região em um momento decisivo da história brasileira, marcado pela transição do trabalho escravizado para o trabalho assalariado. Esse movimento foi determinante para a formação econômica e social do município.

“A cidade tem uma identidade singular, pois foi formada no contexto cafeeiro, sendo um dos principais polos produtores de café fora do eixo do Vale do Paraíba, por isso, recebemos um influxo grande de imigrantes europeus. Esses imigrantes foram de suma importância para o desenvolvimento da indústria cafeeira na região e para o processo de substituição da mão de obra escravizada para a mão de obra assalariada”, explica o historiador Pedro Colucci.

A presença desses imigrantes deixou marcas duradouras na cultura local e ajudou a construir uma cidade com identidade própria. “Nós temos uma cultura rica, pois tivemos contato com a cultura vigente no Brasil na época e tivemos ainda a adesão de culturas como a italiana e germânica, proveniente desse fluxo imigratório, fazendo de Ribeirão Preto uma cidade singular, tanto no estado de São Paulo quanto no cenário nacional”, destaca Colucci.

O café também projetou Ribeirão Preto para além de suas fronteiras regionais, conferindo ao município protagonismo nacional ainda no século XIX. “O café foi e é um produto único para o contexto da cidade. Foi por ele que tivemos uma relevância de caráter nacional, sendo reconhecido até pelo D. Pedro II, que tinha um apreço grande por Ribeirão Preto”. Essa ligação histórica permanece viva até hoje, não apenas nos registros oficiais, mas na memória coletiva da cidade. “Costumes presentes desde a fundação da cidade são vistos até os dias de hoje, mostrando que a memória coletiva do café continua viva a partir de centros históricos e de práticas sociais”, complementa o historiador.

Além de impulsionar a economia, o café foi essencial para a construção da infraestrutura urbana e para o surgimento de símbolos arquitetônicos que ainda hoje definem a paisagem ribeirão-pretana. Com formação oficial em 1856, Ribeirão Preto viveu décadas de prosperidade impulsionadas pelo café. A crise econômica mundial de 1929 encerrou esse ciclo, mas não interrompeu o desenvolvimento do município. Novas culturas agrícolas ocuparam o território, como o algodão e as frutas, até que a cana-de-açúcar fosse reintroduzida, inaugurando um novo momento econômico e abrindo caminho para a diversificação que marcaria as décadas seguintes.

Califórnia brasileira

Não é possível falar de Ribeirão Preto sem mencionar o apelido que atravessou gerações: “Califórnia brasileira”. A expressão surgiu na década de 1980, quando reportagens nacionais passaram a retratar os efeitos da indústria do açúcar e do álcool na economia da região. Assim como a Califórnia norte-americana, Ribeirão Preto vivia um período de crescimento acelerado, prosperidade e transformação profunda da paisagem urbana e rural.

A liderança econômica reconquistada com a força do agronegócio, especialmente da cana-de-açúcar, impulsionou o desenvolvimento de outros setores estratégicos. As receitas do campo convergiram para a cidade, fortalecendo o comércio, os serviços e a infraestrutura urbana, transformando Ribeirão Preto em um centro de atração regional.

Hoje, a cidade figura entre as economias municipais mais fortes do estado de São Paulo e do Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do município ultrapassa R$ 52,3 bilhões, resultado de uma base econômica diversificada, que combina a força do agronegócio com a indústria, o comércio e um setor de serviços altamente especializado. O resultado levou Ribeirão Preto a avançar três posições no ranking das cidades mais ricas do Brasil, chegando à 26ª colocação no levantamento mais recente do IBGE, à frente de centros econômicos como Uberlândia (MG) e Joinville (SC).

A vocação do município para o desenvolvimento é notável também em outras áreas, fora da economia. Ribeirão Preto se consolidou como referência em saúde, abrigando um dos maiores e mais importantes complexos hospitalares do interior do país: o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. O HC é referência regional e nacional em atendimento de alta complexidade, ensino e pesquisa, atraindo pacientes, profissionais e pesquisadores de diversas partes do Brasil.

No campo da educação, a cidade reúne um dos campus mais relevantes da Universidade de São Paulo, com destaque para a Faculdade de Medicina, além de instituições privadas de renome, como a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), o Centro Universitário Moura Lacerda e Universidade Paulista (Unip). A infraestrutura urbana acompanha esse ritmo de crescimento e desenvolvimento. O município reúne uma ampla rede de shoppings centers, comércio diversificado, vida noturna intensa e opções culturais que reforçam sua posição como polo regional.

No esporte, a cidade mantém uma ligação histórica com o futebol: é a terra de Raí, tetracampeão mundial em 1994 com a Seleção Brasileira, que ajudou a projetar o município nacionalmente. Foi também na cidade que o irmão Sócrates cresceu e iniciou sua trajetória no futebol, até se consolidar como um dos maiores ídolos do Corinthians e vestir a camisa da Seleção em duas Copas do Mundo.

Essa herança esportiva do município se reflete também na presença de clubes tradicionais, como Botafogo e Comercial, e na importância de seus estádios para além das partidas. Esses espaços deixaram de ser apenas palcos do futebol e passaram a cumprir função estratégica na cidade. Fora dos dias de jogo, recebem grandes eventos, shows e festivais, contribuindo diretamente para o fortalecimento da economia local. Favorecida pela localização estratégica, com fácil acesso à capital paulista, Ribeirão Preto entrou de vez na rota de grandes produções nacionais e internacionais. Com estrutura técnica preparada para receber apresentações de grande porte e capacidade para comportar milhares de pessoas, a cidade passou a atrair um público diverso.

O festival João Rock, por exemplo, dedicado à música brasileira, transformou Ribeirão Preto em referência nacional no circuito de festivais, reunindo milhares de pessoas a cada edição. No mesmo ritmo, o Ribeirão Rodeo Music é um dos maiores eventos sertanejos do país, atraindo multidões e gerando impacto considerável na economia ribeirão-pretana. Na edição de 2025, o encerramento do evento reuniu cerca de 52 mil pessoas, batendo recorde de público.

Herança cafeeira e vocação empreendedora

Mesmo com a transformação do campo e da cidade, o café nunca saiu de cena em Ribeirão Preto. Pelo contrário, permaneceu como símbolo cultural e como atividade econômica relevante, capaz de se reinventar ao longo das décadas. Um dos exemplos mais emblemáticos dessa trajetória é a Café Utam, empresa fundada em 1969 e que mantém sua matriz em Ribeirão Preto. “A Café Utam surgiu através da junção de 26 torrefações de café, concorrentes entre si, presentes na Alta Mogiana, retirando todas as marcas individuais do mercado e lançando uma marca única: Café Utam, cujo significado é União das Torrefações da Alta Mogiana”, conta Ana Carolina Soares de Carvalho, diretora da empresa.

A marca nasceu forte no interior paulista e, ao longo do tempo, passou por processos de expansão e modernização. “Em 1985, todas as cotas foram vendidas para um grupo mineiro exportador de café cru, que através de investimentos constantes, transformou a torrefação de um produto único em um grupo com cinco unidades de negócios, com diversos produtos e canais de venda”, explica a diretora.

Hoje, reúne cerca de 250 colaboradores, atua em dois parques industriais modernos e trabalha com um portfólio amplo, que vai de cafés torrados e moídos a grãos especiais, cápsulas, drip coffee, cappuccinos e solúveis. Os produtos chegam a todo o Brasil por meio do e-commerce, representantes comerciais e parcerias no varejo do interior de São Paulo, Minas Gerais e capitais, além do envase de mais de 300 marcas de terceiros. Esse crescimento constante levou a empresa a encerrar 2025 com faturamento estimado em R$ 250 milhões.

“A Café Utam nasceu e cresceu junto com a cidade. Ao longo de seus 56 anos de história consolidou uma relação muito sólida com os ribeirão-pretanos, entregando qualidade e tradição, que criaram memórias afetivas, através do aroma e sabor do nosso café no cotidiano das famílias da cidade e região”, destaca a Ana Carolina. “Somos, com muito orgulho, o café de Ribeirão Preto”, complementa.

Esse mesmo espírito empreendedor está presente em outros segmentos do comércio local, especialmente no setor de alimentação. Restaurantes tradicionais e novos negócios ajudam a moldar a identidade gastronômica da cidade, atraindo moradores da região e visitantes de fora. Muitos desses empreendimentos nasceram do zero em Ribeirão Preto e cresceram junto com a cidade, aproveitando o dinamismo econômico e o fluxo constante de pessoas. É o caso do empresário Valderi Pavan, que comanda três casas conhecidas do público ribeirão-pretano: a Picanha da Fiusa, o Kikitos Bar e o Kikitos Grill.

Fundada em 2002, a primeira unidade surgiu na Avenida Presidente Vargas e marcou o início de uma trajetória construída com trabalho diário e conhecimento prático do ramo. Antes de empreender, Kiko, como é conhecido o empresário, atuou como garçom e cozinheiro junto ao irmão e ao primo. Com forte influência da culinária do Sul do país, ao longo do tempo as casas passaram a ser reconhecidas pela fartura, pelo churrasco tradicional e pelo atendimento próximo – características que ajudaram a fidelizar o público.

Hoje, os três estabelecimentos somam cerca de 60 colaboradores e recebem não apenas o público local, mas também consumidores de cidades vizinhas e visitantes de ainda mais longe, que chegam a Ribeirão Preto atraídos pelo comércio, pelos eventos e pela força econômica da região. Esse movimento ganha intensidade em períodos específicos do ano, impulsionado pelos grandes eventos sediados no município.

Entre eles, a Agrishow se destaca como um dos principais motores de circulação econômica. Reconhecida como a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, a Agrishow transforma o município em vitrine internacional do agronegócio e impacta diretamente setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio. Na prática, o reflexo é imediato. “Acaba vindo realmente muitos turistas. É um dos principais eventos que dá mais movimento para a gente, que mais chama atenção”, relata Kiko.

Em termos percentuais, o aumento no fluxo de clientes é expressivo. “Uns 50% a 60% de crescimento”, afirma o empresário. Além da feira, Kiko destaca que outros eventos corporativos e o calendário de confraternizações de fim de ano também ajudam a aquecer a economia local. Ainda assim, a Agrishow segue como o grande catalisador desse fluxo. “Quando tem Agrishow, vem muita gente de fora, de outros países, movimenta demais”, diz.

Presente na feira e profundamente integrada ao ecossistema diverso de Ribeirão Preto, que reúne indústria, agronegócio, comércio, serviços e entretenimento, a COCRED ocupa um papel estratégico.

Empresas tradicionais e novos empreendedores encontram na cooperativa uma relação próxima e alinhada às necessidades reais de cada negócio. Tanto na Café Utam quanto nos empreendimentos do empresário no setor de alimentação, a parceria com a cooperativa acompanha diferentes fases da trajetória, do acesso ao crédito à gestão do dia a dia, consolidando-se como aliada de quem quer crescer no mesmo ritmo de uma cidade em constante expansão.

Plural e acolhedora

Quem conhece Ribeirão Preto, seja para trabalhar ou para visitar, logo percebe que a cidade se constrói a partir de múltiplas camadas. Há a Ribeirão da história preservada em ícones como o Theatro Pedro II, um dos maiores teatros de ópera do país, símbolo da riqueza cultural herdada dos tempos do café. Há a Ribeirão dos encontros, representada pelo tradicional Choperia Pinguim, ponto de convivência que atravessa gerações e traduz o espírito boêmio e receptivo do município. E há também a Ribeirão do lazer e do verde, presente no Bosque Zoológico Municipal, espaço de memória afetiva para moradores e visitantes.

A cidade que cresce a cada dia, também se redescobre. Amplia sua infraestrutura, diversifica sua economia, fortalece a vocação para grandes eventos e se faz referência em áreas estratégicas como saúde, educação, agronegócio, comércio e serviços. Um desenvolvimento que não acontece de forma isolada, mas impulsionado por relações de proximidade, cooperação e confiança. Ribeirão Preto é, hoje, resultado desse equilíbrio entre tradição e inovação, entre raízes profundas e olhar voltado para o futuro. Uma cidade que acolhe quem chega, valoriza quem fica e oferece oportunidades para quem quer crescer. Parabéns, Ribeirão Preto, pelos seus 170 anos.

COCRED

Com três agências em Ribeirão Preto e a participação no hub de inovação Dabi Business Parque gerido pela Central Sicoob São Paulo, a COCRED está presente no dia a dia de uma cidade diversa, dinâmica e empreendedora. A cooperativa atende uma base ampla e plural de cooperados, que vai do agronegócio ao comércio, da indústria aos serviços, acompanhando o ritmo de crescimento e transformação do município.

As unidades foram pensadas para oferecer a melhor experiência financeira aos cooperados. São espaços de relacionamento, proximidade e experiência, onde o cooperado encontra atendimento personalizado estrutura moderna e serviços alinhados às necessidades reais dos negócios e das pessoas. Um dos destaques é a agência da Avenida Wladimir Meirelles, a primeira da cooperativa na cidade a contar com espaço coworking, reforçando o compromisso com inovação, colaboração e novos modelos de trabalho.

Em Ribeirão Preto, a COCRED atua como parceira do desenvolvimento local, apoiando empresários, produtores e profissionais liberais em diferentes fases da jornada financeira. Uma presença construída com base na cooperação, na confiança e no propósito de promover justiça financeira e prosperidade.

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