Gledson Reis atende a nossa reportagem por telefone, no intervalo entre uma pulverização com drone e outra. Desde o início deste ano, os pedidos pelo serviço aumentaram muito, o que torna difícil até encontrar uma brecha na agenda. Com o tempo restrito, conta a história dele com os veículos aéreos na mesma velocidade do crescimento da demanda. Mas 15 minutos de conversa já são suficientes para perceber que a paixão é tamanha que não seguiria outra rota, a não ser olhar o mundo de cima.
Reis se formou em zootecnia com ênfase em agronomia em 2004. Nove anos depois, muito antes de os drones invadirem o espaço aéreo agrícola, já começava a apostar na tecnologia. Sentia que o setor iria decolar. “A partir de 2022, com a virada de chave de algumas empresas, que passaram a acreditar nos drones, o movimento acelerou demais. E, agora em 2024, estourou, com a adesão de usinas [sucroenergéticas]”, diz.
O fascínio dele pelos ares, no entanto, é antigo. Aos 14 anos, ia aos domingos com o avô materno até o campo de aviação de Poços de Caldas-MG para a prática de aeromodelismo. Na adolescência, intensificou os experimentos. Moldava hélices no canivete. Já chegou a acoplar câmeras em aviõezinhos e helicópteros movidos a rádio controle.
Em 2016, mesmo ano do falecimento do avô, desenvolveu, aos 37 anos, o primeiro drone próprio, em caráter experimental, com capacidade para dois litros. O equipamento foi concebido já dentro da Fotodrones, empresa que havia fundado três anos antes, em Guaraci-SP, cidade estratégica, por estar localizada em uma região com várias usinas.
Com sete aeronaves – quatro para pulverização e três para mapeamento –, a Fotodrones busca alçar voos ousados: planeja dobrar essas quantidades já nesta safra, para atender demandas de pequenos a grandes produtores. Na temporada 2023/24, os drones da empresa sobrevoaram 10 mil hectares.
Um desses equipamentos tem Inteligência Artificial embarcada. Trata-se de um sistema de mapeamento com câmera multispectral, que, por meio de sensores, “veem” o que não é possível aos olhos humanos. Dessa forma, identificam se plantas que crescem nos canaviais são daninhas ou não.
A expansão na procura pelos serviços tem feito com que ele e os sócios, Guilherme Raimundo e Alexandre Morais, invistam também na contratação de colaboradores. Já são cinco. E, em 2023, buscaram no cooperativismo a solução para consolidar ainda mais os negócios. A Fotodrones se tornou cooperada da Sicoob Cocred.
“Migramos todas as nossas contas para a cooperativa, pela confiança que passa para a gente. O tratamento é muito diferenciado, com liberação rápida de tudo o que precisamos em linhas de crédito e investimentos”, afirma.

Benefícios
Enquanto atende a nossa reportagem, Reis monitora os drones que sobrevoam a Bulle Arruda Agropastoril, empresa familiar que iniciou suas atividades pelas mãos de Hernani Bulle Arruda. A fazenda existe desde 1908. Já foi produtora de café e citros, e hoje tem, como principal atividade, a cana-de-açúcar, com colheita 100% mecanizada.
O gerente agrícola do grupo é José Luiz Martinatto. Formado como técnico agrícola em 1979, trabalha há 44 anos na propriedade e explica que o uso de drones começou em 2020, para levantamento de manchas de infestação de mucuna, um tipo de planta daninha.
Toda a área da empresa é maturada com o uso de drones, que fazem também a aplicação de 100% dos herbicidas para eliminação da mucuna. “É uma tecnologia que teve grandes avanços, reduzindo drasticamente as contaminações no meio ambiente. Além disso, o custo da aplicação está ficando muito próximo ao do avião”.
Para agregar tecnologias que otimizam cada vez mais a produção, a Bulle Arruda conta com o apoio da Cocred desde 1986. “O relacionamento é ótimo, sempre com pronto atendimento, e já usamos diversos produtos e serviços financeiros, como custeio agrícola, financiamento de equipamentos e seguros”, diz Martinatto.
Crescimento
Segundo a Mordon Intelligence, companhia de pesquisas de mercado, o setor de drones agrícolas deve movimentar, em todo o mundo, US$ 2,08 bilhões em 2024. Até 2029, a expectativa é mais que dobrar esse montante, atingindo US$ 4,36 bilhões, com crescimento médio de 16% ao ano.
No Brasil, o Sistema de Aeronaves Não-Tripuladas, vinculado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), informa que existem pouco mais de 5,2 mil drones em operação no campo. No entanto, empresas ligadas ao ramo estimam que a frota é bem maior, podendo chegar a 12 mil aeronaves.

O técnico agrícola Adriano Maniezo Monzani, que fundou, há um ano, a Sky Agrotech Drones, em Olímpia-SP, elege alguns fatores para explicar a alta expressiva. Além de conseguir voar mais baixo que os aviões, os drones são capazes de fazer aplicações precisas, direto no alvo, evitam o amassamento dos cultivos e não têm logística complexa.
Apesar do custo operacional um pouco maior e da autonomia menor, em relação às aeronaves tripuladas, os drones permitem economia de água e de produtos aplicados, e podem ser usados facilmente em áreas com declive e montanhosas.
Monzani trabalhou durante dez anos com aviação agrícola. Vendo postagens nas redes sociais, começou a achar o mercado de drones interessante e, em 2023, decidiu investir. Comprou um equipamento em parceria com o agrônomo Flávio Pavesi, seu sócio, também com experiência de 14 anos em aviação agrícola, e fundou a Sky.
Logo a empresa se tornou cooperada da Cocred – apoio fundamental para expandir as operações. “Agora, trabalho só com drone para agricultura. Com a demanda crescente, em breve espero aumentar o número de equipamentos”, diz Monzani.

Quem também se encantou pela eficiência dos drones foi a engenheira agrônoma Giovanna Lovato, de Sertãozinho-SP. No início de 2023, o pai, Silvio, cooperado da Cocred desde 2002, decidiu adquirir um equipamento para uso próprio, em lavouras de cana. A partir daí, Giovanna ficou responsável pelas aplicações.
Percebendo que a procura aumentava bastante, passou, já em julho do ano passado, a oferecer o serviço para outros agricultores. “Antes eu me perguntava: ‘Será que isso vai dar certo?’. Não só deu certo como estou abrindo uma empresa para trabalhar exclusivamente com drones”, conta.
Até o mês de setembro, a atuação de Giovanna é focada no atendimento a usinas. Depois, o plantio da safra de grãos passa a disputar dias e horários disponíveis. Para a agrônoma, uma maneira, inclusive, de dar maior visibilidade ao papel das mulheres no agronegócio. “Já são muitas pilotando, o que contribui para ampliar a participação feminina no campo”.

O futuro é agora
As aeronaves não-tripuladas têm conquistado, também, produtores que estão há muito tempo na atividade e acompanharam a evolução tecnológica no campo. Devarlei José Bortolan, de Severínia-SP, tem 58 anos e, desde os oito, vive o dia a dia da zona rural. Ajudava o pai no cultivo de algodão, milho e laranja.
Há 22 anos, começou a cultivar cana em propriedades arrendadas no interior de São Paulo. O sobrinho dele, Rodrigo, é quem conduz o drone comprado no ano passado, para pulverizar, maturar e eliminar mucuna dos canaviais. Com os resultados obtidos, outros fornecedores passaram a requisitar a tecnologia. Nos horários em que Bortolan não está usando o drone nas lavouras dele, o equipamento presta serviços.
Morando a poucos metros da agência da Cocred em Severínia, onde é cooperado há 29 anos, Bortolan tem orgulho de dizer da parceria com a cooperativa. “O relacionamento é muito bom e tem contribuído, se forma significativa, para o desenvolvimento das minhas lavouras. Faço tudo na Cocred: empréstimos, financiamentos, custeio agrícola e o que mais for necessário”, afirma.
O produtor rural aprendeu com os pais que as conquistas não vêm do céu, como os drones quando terminam as aplicações. Cabe a nós a decisão de “voar” até elas. “Tecnologias que a gente acreditava encontrar num futuro distante já se fazem presentes. Os drones demonstram que o futuro chegou na agricultura brasileira. E, se a gente não acompanhar, fica para trás”, conclui.

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