No mês em que completa 55 anos de história, a Sicoob Cocred comemora, também, a mudança de segmento entre as instituições financeiras do país. No dia 1º de julho, a cooperativa migrou de S4 para S3, segundo classificação do Banco Central (BC), o que, na prática, significa maior segurança para que os cooperados façam suas transações e ainda mais transparência na divulgação de informações.
O reforço na segurança é explicado pelo aumento do número de órgãos de supervisão e controle para assessorar o Conselho de Administração da Cocred: foram formados mais dois comitês, o de Auditoria e o de Riscos. Já a maior transparência se deve à divulgação periódica obrigatória de novos e diversos indicadores da instituição.
Segundo Juliano dos Santos Bomfim, diretor de Riscos, Controles Internos e Compliance da cooperativa, todas as alterações necessárias para a transição estão previstas no Estatuto Social, que teve trechos de sua redação alterados em Assembleia Geral, em abril.
“As mudanças envolvem todos os colaboradores e atendem, inclusive, um dos itens solicitados pela normativa do Banco Central: disseminação da cultura de gerenciamento de riscos no âmbito da instituição”, afirma.
Segundo Bomfim, a passagem para o segmento S3 é uma demonstração da solidez da cooperativa. “Passamos a fazer parte de um grupo ao qual poucas instituições financeiras conseguem chegar. Sem dúvidas, isso mostra a força da Cocred no mercado financeiro, o que traz cada dia mais confiança e tranquilidade aos nossos cooperados”, diz.
O chefe do departamento de Regulação Prudencial e Cambial do BC, Ricardo Franco Moura, explica que as instituições financeiras do segmento S3 são inseridas em um sistema de regulação mais sofisticado, que se manifesta em estrutura mais robusta de governança, segurança e eficiência nos serviços prestados, e em redução de custos, o que fomenta a competitividade no mercado financeiro.
“Na medida em que os requisitos prudenciais aplicáveis ao segmento S3 apresentam mais exigências quando comparados ao S4, são necessários aprimoramentos, o que contribui para melhor gestão de riscos e financeira da instituição e, em última análise, garante mais segurança aos depósitos dos cooperados”, afirma.

Regulação prudencial
A classificação em segmentos, chamada de regulação prudencial, consiste em estabelecer requisitos para as instituições financeiras com foco no gerenciamento de riscos e de capital, visando ampliar a segurança frente aos riscos decorrentes de suas atividades.
O BC divide as instituições financeiras do país em cinco segmentos, que vão de S1 a S5. Para atingir o segmento S3, a Cocred manteve seu porte maior que 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional durante três semestres consecutivos.
O índice semestral é obtido da seguinte maneira: divide-se o valor da exposição total* da instituição financeira pelo valor acumulado do PIB nos quatro trimestres anteriores.
No segundo semestre de 2022, a Cocred atingiu 0,1004%. No semestre seguinte, 0,1008%. E, no segundo semestre do ano passado, 0,1104%. “A migração para um segmento superior demora três semestres para que haja tempo suficiente de preparação, não acarretando uma alteração abrupta”, explica Moura.
*A exposição total é o valor total de ativos e engloba aplicação de recursos financeiros em bens, direitos, adiantamentos concedidos, operações de crédito, operações de títulos e valores imobiliários, operações registradas fora do balanço como limites, créditos a liberar, aval, fiança e qualquer outra modalidade de garantia pessoal do cumprimento de obrigação financeira de terceiros.

Governança ainda mais robusta
Uma das exigências do BC para a migração de segmento é que as instituições financeiras implementem mais dois comitês: o de Auditoria e o de Riscos. Na Cocred, eles têm três membros cada, empossados no final de maio e com mandato de quatro anos a contar de 1º de julho, quando a mudança começou a valer.
Carlos Donizeti Macedo Maia integra o Comitê de Riscos. Consultor para temas do Sistema Financeiro e de Governança, atuou por 30 anos no BC, onde foi chefe do departamento de Supervisão Bancária e consultor da Diretoria, tendo representado o órgão em diversos grupos do Comitê de Basileia e do Financial Stability Board.
Maia explica que a divisão das instituições financeiras em segmentos visa promover uma “justiça proporcional” no processo de aplicação do marco regulatório. As que integram o S3 precisam dar maior robustez aos processos de governança e possuem demandas maiores para gerenciamento de riscos e capital na comparação com as S4.
Para os cooperados, isso significa ainda mais confiança nos produtos e serviços da Cocred. “Melhora a garantia oferecida a eles de que a instituição está fazendo uma gestão adequada à sua importância”, afirma o consultor.
Maia destaca, ainda, que os dois comitês devem trabalhar em conjunto, o que potencializa a capacidade de obtenção e análise de informações. Mesma opinião de Hildebrando Camargo, membro do recém-criado Comitê de Auditoria.
“Um dos avanços do segmento S3 é que a existência desses comitês permite acompanhar ainda mais de perto os processos, não apenas para fiscalizar a atuação da cooperativa, mas para avaliar a necessidade de implantação de melhorias nessa atuação”, afirma.
Para Camargo, que é sócio da Moore Prisma, empresa de auditoria e consultoria, e que tem experiência de três décadas no atendimento a cooperativas de crédito, a segmentação reforça o cenário de profissionalização pela qual o setor passou nesse período.
No caso da Cocred, a mudança para o S3 vai possibilitar incremento na transparência e na qualidade das informações geradas, além de permitir aos cooperados acesso a uma maior diversidade de operações financeiras.
“Isso demonstra solidez e ajuda na construção de credibilidade, não só da cooperativa, mas do cooperativismo de crédito como um todo”, finaliza.
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