Uso de internet cresce entre as pessoas 60+

Uso de internet cresce entre as pessoas 60+

A professora Lúcia de Fátima Ancheschi, de 62 anos, tem uma vida ativa. Mesmo aposentada desde 2016 da carreira no ensino público, onde dava aulas de Educação Física, está com a agenda cheia. De segunda a domingo, se divide entre atividades físicas, a cozinha, encontros com a família e cuidados com a neta, Anne Heloíse, de nove anos. Uma rotina que exige praticidade e uma boa ajuda da tecnologia.

Às segundas, quartas e sextas, faz ginástica em um Centro de Convivência do Idoso (CCI) em Sertãozinho, onde mora. Às terças e quintas, vai a uma academia, para fortalecimento muscular. Sem contar a ioga, também às terças. Levar Anne à natação também está no programa, às segundas e quartas.

E se engana quem acha que final de semana é pra descanso. Sábado é dia de caminhada. Domingo, de um bom almoço. Com dois filhos – Vitor, que é engenheiro mecânico e pai da Anne, e Vinícius, engenheiro eletricista –, compartilha momentos com eles e, apesar de separada, com o ex-marido, Wagner, com quem mantém a amizade.

Todas essas atividades só são possíveis com um controle da vida financeira. Além da renda da aposentadoria, ela tem, com o irmão, dois sítios no município de José Bonifácio, arrendados para o plantio de cana. Para acompanhar se o valor caiu na conta e fazer pagamentos, ela não desgruda do celular. “É tudo por meio de aplicativos. Até pouco tempo, não era algo que estava no meu dia a dia. Mas, com a semana ocupada, não tem outro jeito”.

Cooperada da Cocred há 15 anos e adepta de novidades tecnológicas, ela ganha tempo para se dedicar ao lazer e aos cuidados com a saúde. Explica que sempre aprende novas funcionalidades com a ajuda dos filhos e que só vai a uma agência da cooperativa quando precisa tirar dúvidas ou assinar algum documento.

Comportamentos como o de Lúcia têm sido cada vez mais comuns. A pesquisa mais recente sobre hábitos tecnológicos de pessoas com mais de 60 anos, realizada pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço Nacional de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offer Wise, e divulgada em 2021, mostra um avanço significativo dos idosos conectados.

Nesse grupo populacional, o número de usuários da internet cresceu de 68% no final de 2018 para 97% no mesmo período de 2021. Os serviços de instituições financeiras ficaram em terceiro lugar entre os mais acessados, com 45%, atrás apenas de transporte urbano (aplicativos como o Uber), com 47%, e das redes sociais, com 72%.

Segundo o relatório da pesquisa, uma das explicações para isso e para o aumento da conexão está na pandemia de Covid-19. Por causa do distanciamento social imposto pela emergência do vírus, houve uma busca maior por ferramentas que permitissem adquirir produtos e serviços sem sair de casa.

Para a CNDL, é importante estar atento às necessidades da faixa etária, para a qual a tecnologia, além de ajudar a consolidar oportunidades de negócios em diversos segmentos da economia, representa um caminho para além do consumo, ofertando possibilidades de conhecimento e entretenimento.

Lúcia de Fátima Ancheschi

Inclusão

Na Cocred, 48% dos cooperados com mais de 60 anos e que têm o App Sicoob baixado no celular fizeram ao menos uma transação em dezembro de 2022, o que representou cerca de 130 mil operações apenas neste mês.

Caio Saraiva Coneglian, professor universitário e coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica e Empreendedorismo da Universidade de Marília (Unimar), instituição cooperada da Cocred, afirma que a preocupação em incluir digitalmente as pessoas com mais de 60 anos permite que elas participem mais ativamente da vida social, como acontece com a professora Lúcia.

“A gente fala de um público que se mantém presente no mercado de trabalho. Os idosos precisam de tecnologia para trabalhar, mas também para se comunicar com familiares e amigos. Hoje, quem não sabe utilizar a tecnologia não está ligado com a sociedade.”

Diante disso, um dos principais desafios, segundo Coneglian, é promover educação digital, para que a ampliação do número de usuários signifique, também, um maior domínio dos dispositivos tecnológicos. “Muitas pessoas até sabem mexer no celular, mas não ainda de forma adequada. Isso traz a discussão sobre inclusão, o que é um problema, porque as pessoas podem acabar não apenas excluídas da tecnologia, mas do mercado de trabalho, de se comunicar e de serviços básicos prestados pelo governo, como o INSS, que é todo digital”.

País mais velho

O desafio da inclusão digital cresce na medida em que as pessoas estão vivendo mais. Nesse aspecto, o Brasil acompanha uma tendência mundial. Nosso país tem cerca de 15% da população com mais de 60 anos – mais de 30 milhões de pessoas. Até 2050, conforme expectativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), deverá chegar a 30%, o que vai demandar esforços tecnológicos em diversas áreas, como a própria Saúde, a Educação, os transportes, o mercado de trabalho, a mobilidade urbana, o lazer, entre outros.

Não serão raros os centenários, o que fará crescer a atenção, considerando o contato mais restrito com as ferramentas digitais, principalmente aos que ultrapassarem a barreira dos 80. “Se considerarmos o cenário atual, o público de 60, 70, já consegue, geralmente, usar a tecnologia de forma mais natural. Já na faixa dos 80, o contato ao longo do tempo foi menor. Então, vejo que, nesse grupo, o desafio vai ser um pouco maior. A gente vai precisar ter ações nesse sentido, trabalhar essa questão de forma ativa, em conjunto com governos, entidades, empresas, terceiro setor e universidades”, explica Coneglian.

Caio Saraiva Coneglian

Segurança

A maior participação das pessoas idosas da vida social por meio da tecnologia exige, em contrapartida, maior segurança. Isso porque, quando o domínio dos dispositivos digitais ainda não é pleno, os riscos de cair em golpes são consideráveis. Qualquer faixa etária está sujeita, mas as chances aumentam se a familiaridade com os equipamentos é menor.

A própria Lúcia quase foi uma vítima. Ela recebeu uma mensagem pelo WhatsApp com um número desconhecido, mas com a foto do filho. O estelionatário pedia uma ajuda de R$ 1.545,00. Antes de descobrir que era uma tentativa de golpe, chegou a transferir uma parte. Mas teve o dinheiro extornado graças a mecanismos de segurança da Cocred.

Antes do episódio, Lúcia já tomava cuidados, como não clicar em qualquer link sem saber do que se tratava e não comprar produtos em sites que não conhecia. “E, mesmo assim, acreditei que era o meu filho no WhatsApp. Então, toda atenção é pouca”.

Revista Cocred Mais

Esta reportagem é uma das que compõem a edição 42 da Revista Cocred Mais. Para ver a edição completa, clique aqui.

Principais golpes

O episódio que assustou Lúcia é apenas um dos problemas que envolvem o uso de tecnologia na proteção das finanças. São comuns fraudes em celulares roubados, fraudes com documentação pessoal, e-mails falsos, falso empréstimo, falso sequestro, sites falsos de leilões, além de golpes do DDA e do motoboy.

Golpe do WhatsApp

 

O fraudador cadastra o número de telefone da vítima em outro dispositivo e, após isso, um SMS contendo um código de liberação de acesso é enviado para o celular dela. Por meio da engenharia social, a vítima é induzida a fornecer esse código ao criminoso, o que bloqueia a conta de WhatsApp. O golpista passa a enviar mensagens para os contatos da vítima pedindo dinheiro em nome dela. Outra modalidade tem como alvo pessoas que publicam anúncios em sites de vendas e disponibilizam um número de celular. Com a informação, os autores do golpe enviam uma mensagem se passando pela empresa que hospeda o anúncio, alertando a vítima sobre uma suposta necessidade de manter o anúncio ativo com o envio de um código. 
Golpe do falso empréstimo

 

É a oferta de empréstimos para pessoas negativadas com a promessa de não consultar órgãos de proteção ao crédito. Para isso, os golpistas usam anúncios em outdoors, rádios, jornais, internet, mídias sociais etc. Ao receber o contato dos interessados, dão mais informações sobre as condições contratuais e pedem pagamento antecipado de taxas administrativas e seguros prestamistas. Quando recebem, geralmente por TED, cortam o contato. 
Golpe do falso sequestro ou do falso parente

 

A vítima recebe um telefonema informando que um parente próximo está em poder de sequestradores (o que é mentira) e é induzida a pagar o resgate por transferência ou depósito; ou um falso parente telefona para a vítima pedindo um “empréstimo” imediato para arcar com despesas inesperadas, passando o número da conta para a qual a transferência deve ser feita. 
Golpe do site falso de leilões

 

Consiste em um site de leilões falso criado para roubar dados dos consumidores. A página falsa aparenta ser legítima, com uma diferença: o produto nunca será entregue. Outra técnica utilizada para trazer confiança é criar uma página no Reclame Aqui (https://www.reclameaqui.com.br/), como se fosse uma empresa constituída. Os golpistas colocam comentários como se fossem clientes do suposto leilão, mas com reclamações pouco graves, como um retrovisor quebrado ou algum outro dano pequeno, o que dá a impressão de que houve um problema, mas prova que a pessoa recebeu o veículo. Além disso, existe a pressão do tempo. Por se tratar de um leilão, a vítima não pode demorar muito para decidir. A partir daí, recebe um boleto. Após pago, todos os contatos da suposta empresa são cortados. 
Golpe do DDA

 

Consiste no envio de falso e-mail informando sobre um boleto com desconto. Os fraudadores pedem que a vítima desconsidere o pagamento do DDA e o façam a partir do falso boleto. Dessa forma, os recursos são desviados para outra pessoa. A quitação da obrigação prevista no DDA não será realizada e, assim, a dívida permanecerá. 
Golpe do motoboy

 

Fraudadores ligam para o cliente e questionam uma suposta compra no cartão. Pedem as senhas para supostamente bloqueá-lo e oferecem mandar um motoboy ao cliente para recolher o cartão para “perícia”.
Atenção: O Sicoob e as agências das cooperativas que fazem parte do sistema não envia motoboys ou funcionários a endereços residenciais ou comerciais, mesmo quando o cartão precisa ser substituído após transações suspeitas, e nem pede celulares ou digitação de senha. 
Golpe do QR Code

 

O fraudador, se passando por empregado da Central de Suporte ou da cooperativa, induz o cooperado, por telefone, a realizar uma atualização de segurança. Pede à vítima que acesse uma falsa aplicação do internet banking, na qual o cooperado informa todos os dados de acesso à conta, incluindo a senha.
De posse dos dados, o fraudador acessa o App Sicoob do celular dele para cadastrá-lo na conta do cooperado e, ainda na ligação telefônica, pede ao cooperado que acesse o App Sicoob para realizar a leitura do QR Code de liberação de dispositivo. Uma vez liberado o celular do fraudador, ele passa a efetuar transações financeiras até o limite disponível do cooperado. 
Fraudes financeiras em celulares roubados

 

Imagine que você está na rua, respondendo uma mensagem no celular, quando alguém rouba seu aparelho. Ainda que o App Sicoob seja seguro e confiável, é fundamental que você adote alguns cuidados para manter sua conta bancária protegida. Siga todas as dicas do Sicoob e evite que suas informações pessoais e financeiras sejam usadas por pessoas mal-intencionadas. 
Fraudes com uso de documentos de identificação pessoal

 

A maioria dos golpes acontece com o uso de documentos roubados, furtados ou extraviados. Se você foi vítima de uma destas situações, a primeira atitude é registrar um Boletim de Ocorrência (BO). No primeiro caso (roubo), o procedimento deve ser feito em uma delegacia. Nos demais, pode ser pelo site da Secretaria de Segurança Pública. 
Malware

 

Uma nova página inicial surgiu sem sua permissão? Há uma barra de ferramenta ou atualizações que brotou em seu navegador? Tentou acessar um site e foi direcionado para outro? Suas ferramentas de proteção foram desativadas? Contatos de e-mails e rede sociais avisaram que você mandou conteúdo estranho? Se sim, provavelmente você carrega um malware, que costuma interferir no desempenho e causar travamentos, por usar o potencial de sua máquina para outros fins. 
Mensagens falsas

 

Phishing é uma técnica usada por fraudadores para roubo de informações pessoais via e-mail, SMS, telefonemas ou redes sociais. Ao clicar no link recebido, você é direcionado para um site falso, muito parecido com o verdadeiro. Porém, quando você informa seus dados, o fraudador os copia sem você perceber. 
Ataque pela internet

 

O usuário recebe um link ou arquivo por e-mail, que, ao ser clicado, altera uma configuração de segurança do computador, permitindo acesso remoto por fraudadores. Não abra links de SMS suspeitos e nunca informe seus dados bancários e senhas. 

Fonte: Sicoob

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