Energia solar já ocupa segundo lugar na matriz elétrica nacional

Energia solar já ocupa segundo lugar na matriz elétrica nacional

Irani Donizeti Perini é conhecido em Marília, onde se estabeleceu há 43 anos, vindo de Flórida Paulista, como Rei do Chopp. Seu estabelecimento de mesmo nome, que nasceu pequeno há duas décadas, tem 300 equipamentos, que permitem atender pedidos de toda a região. De janeiro a setembro, Irani comercializa, em média, de 20 a 25 mil litros da bebida por mês. Em outubro e novembro, o volume fica entre 30 e 40 mil. Já em dezembro, por causa das festas de fim de ano, saem de 70 a 80 mil litros.

Se amplia o faturamento de um lado, Irani também busca reduzir os custos de outro. A conta de energia elétrica, que chegava a R$ 2 mil por mês, caiu cerca de 70%. Isso porque o proprietário aderiu, há quase dois anos, à energia solar. As placas fotovoltaicas foram financiadas em 60 meses, com o apoio da Cocred. “Com o valor que economizo na conta, pago o financiamento. E, quando terminar de pagar, vou ficar só com o gasto mensal de energia. Então, está valendo muito a pena.”

A exemplo de Irani, os brasileiros estão descobrindo as vantagens da energia solar. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o Brasil ultrapassou, no final de junho, a marca de 32 gigawatts (GW) de potência instalada, somando as usinas de grande porte e os sistemas de geração própria em telhados, fachadas e pequenos terrenos. Em dezembro de 2022, eram 25,3 GW e, no final de 2021, 14,3.

Irani Donizeti Perini

Os números são expressivos para um segmento que começou a se desenvolver há pouco mais de uma década. Em 2012, o país tinha, apenas, 8 GW de potência instalada. Para estimular a expansão, a ABSOLAR foi criada no ano seguinte. Nessa trajetória, a fonte solar já representou R$ 155,2 bilhões em investimentos trazidos ao Brasil, R$ 45,1 bilhões arrecadados pelos cofres públicos e mais de 960 mil empregos gerados.

Mais importante ainda: a energia solar já evitou a emissão de 40,6 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2), principal vilão do efeito estufa, que influencia no aquecimento global. As usinas de grande porte respondem por 9,6 GW de potência. Do restante (22,4 GW), quase metade é gerada por residências, seguidas pelas propriedades rurais e pelas indústrias.

Com rápidos incrementos, a energia solar fotovoltaica já responde por 15% de toda a matriz elétrica brasileira, ocupando a segunda colocação, à frente da energia eólica (12%), gás natural (8,1%), biomassa e biogás (7,8%), petróleo e outras fontes fósseis (4%), carvão mineral (1,6%), nuclear (0,9%), além de energia importada (3,8%). A liderança, obviamente, ainda é das hidrelétricas (50,8%).

Segundo Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, o crescimento da energia solar alivia o orçamento das famílias e amplia a competitividade dos setores produtivos brasileiros, fatores considerados cada vez mais importantes, tanto para girar a economia nacional quanto para ajudar o país a cumprir os compromissos ambientais que já assumiu.

“Finalmente, o Brasil acordou para a energia solar e seus benefícios. Aproveitar uma fonte de energia limpa e barata ajuda no processo de reindustrialização do país, além de estimular a diversificação do suprimento de eletricidade, reduzindo a pressão sobre os recursos hídricos e o risco de ainda mais aumentos na conta de luz da população”, afirma.

A Associação entende que a fonte solar contribui, ainda, para alavancar o desenvolvimento social, econômico e ambiental, já que pode ser usada em casas populares, escolas, hospitais, postos de saúde, bibliotecas, delegacias, museus, parques, entre outros, acelerando ainda mais a atração de investimentos, a geração de empregos e renda, e a liderança internacional do Brasil na transição energética.

Para isso, são fundamentais políticas competitivas e justas para o setor, que reduzam os preços dos componentes e equipamentos produzidos no Brasil, gerando inovação e fortalecendo a competividade. Levantamento da ABSOLAR mostra que, em 2013, o preço pago pela energia solar em leilões do mercado regulado era, em média, de US$ 103,00 por megawatt-hora (MWh). Em 2022, era menor que um terço desse valor: US$ 32,34.

José Sávio de Souza

Nove de uma vez
Em Morro Agudo, José Sávio de Souza, sócio do Escritório de Contabilidade SS e proprietário de um posto de combustíveis, fechou, há um ano e meio, um pacote para instalação de energia solar
em nove imóveis de uma vez. Entre eles, além do escritório, as casas dele e da sócia, a cunhada Vera Lúcia da Silva Quatrini. O investimento, parcelado em 36 vezes pelo cartão de crédito da Cocred, da qual ele é cooperado há 20 anos, reduziu a conta de energia do escritório. O valor mensal passou de R$ 1,8 mil para R$ 100, em média – mais as prestações do cartão. “Foi a própria cooperativa que nos ofereceu essa possibilidade, que é ótima, porque permite adequar o consumo com o valor da parcela”.

Outras vantagens, segundo José Sávio, é poder usufruir de equipamentos com vida útil longa – em média de 25 a 30 anos, mas que pode se estender a 40 –, ter disponível uma fonte inesgotável e
gerar energia limpa, alinhada com os principais protocolos mundiais de preservação ambiental. “Deveríamos ter instalado antes.”

Taxação do sol
O custo mínimo para instalação de um sistema para geração de energia solar é de aproximadamente R$ 15 mil. Já o máximo depende do consumo médio mensal do imóvel. De acordo com a ABSOLAR, o retorno para o investimento vem entre dois e cinco anos.

As placas fotovoltaicas têm sido uma alternativa para reduzir as despesas com energia elétrica, que, nos últimos dez anos, ficou 180% mais cara. Isso porque, se a geração de energia solar no
imóvel for maior que o consumo, o excedente é armazenado na rede e volta como crédito ao proprietário, podendo reduzir a conta em 90% – só não zera porque existem tarifas.

Entre elas, está a taxação do sol, que entrou em vigor no dia 7 de janeiro deste ano. Trata-se de uma cobrança pelo serviço de transmissão de energia até as residências – chamado de “Fio B”. Os
sistemas implantados antes de 7 de janeiro estão isentos até 2045.

Já em relação aos demais, o Governo Federal estabeleceu um período de transição de seis meses, que terminou em 7 de julho. Quem aderiu à energia solar neste período começa pagando 15% do “Fio B” agora em 2023. O percentual vai aumentando ano a ano, até atingir 100% em 2030. Os que homologaram a instalação após 7 de julho também partem de 15%, mas o prazo para chegar aos 100% é menor: vai até 2028.

Edição 43 

Esta é uma das reportagens da edição 43 da Revista Cocred Mais. Para conferir esses e outros textos na versão digital, clique aqui.

Ronaldo Koloszuk (Divulgação/ABSOLAR)

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